Além da situação já caótica no país, com a escassez do básico, jovens em serviço militar estão desesperados
Na última semana, Cuba declarou estar em “estado de guerra”, segundo a mídia local. O plano foi aprovado durante uma reunião do Conselho de Defesa Nacional, o órgão responsável por assumir o controle de Cuba durante desastres naturais ou conflitos armados.
A mídia estatal cubana informou que o movimento baseia-se no conceito de “Guerra de Todo o Povo”. Essa abordagem envolve a mobilização total da população para responder de forma coletiva e decisiva a uma possível agressão externa.
Medo entre jovens
Esse contexto intensificou sentimentos de insegurança entre a população e criou novas pressões no cotidiano, inclusive nas comunidades de cristãos em toda Cuba. Pastor Luis*, um voluntário da igreja em Cuba, descreve a situação: “Os jovens que estão atualmente no serviço militar estão com medo. Ninguém está preparado para uma guerra. No entanto, eles são obrigados, segundo as autoridades, a defender a revolução”.
O pastor relata que os jovens estão confinados sem condições adequadas ou recursos essenciais, apenas para defender a revolução. Cuba ocupa a 24ª posição entre os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos e o mais perigoso da América Latina segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026.
Cristãos perseguidos ainda mais vulneráveis
A escassez de comida, medicamentos, água potável além de apagões constantes e cuidados básicos de saúde torna a vida do cristão perseguido ainda mais vulnerável.
Felipe* e Laura*, membros da equipe da Portas Abertasna América Latina, passaram vários dias em Cuba avaliando a situação das comunidades cristãs locais. O que encontraram foi uma realidade dura: pobreza sistêmica, vigilância constante e igrejas que se agarram à fé em meio às dificuldades.
“Ouvi os testemunhos de cerca de dez pastores e líderes. O que vi foi ao mesmo tempo inspirador e comovente”, relata Felipe.
Miguel* é um pastor cubano extremamente perseguido em Cuba. Durante 20 anos, ele pastoreou 14 igrejas e sentiu de perto a perseguição, fome e escassez em seu país. Por ser um líder religioso ativo, ele foi interrogado 50 vezes por autoridades cubanas.