Viver mais e com qualidade é um objetivo compartilhado pela maioria das pessoas, mas o avanço da idade traz mudanças importantes na relação com o dinheiro. A partir dos 60 anos, aumentam as despesas com saúde e cuidados pessoais, enquanto a renda tende a se tornar mais limitada, especialmente para quem depende da aposentadoria. Nesse contexto, organizar as finanças passa a ser uma necessidade diretamente ligada à preservação da autonomia e da qualidade de vida.
A educadora financeira e especialista em Desenvolvimento Humano Janaina Gimael explica que o ponto de partida para uma vida financeira mais equilibrada nessa fase é compreender com clareza a própria situação econômica. Segundo ela, mapear gastos fixos e variáveis se torna ainda mais relevante quando a renda é previsível, como ocorre na aposentadoria. Despesas pequenas e frequentes, muitas vezes negligenciadas ao longo da vida, podem ter impacto significativo no orçamento quando analisadas em conjunto.
A especialista destaca que estabelecer metas financeiras também contribui para a mudança de hábitos. Quando há um objetivo definido, como economizar, complementar a renda ou realizar um projeto pessoal, torna-se mais fácil adotar práticas mais conscientes no dia a dia e manter disciplina em relação ao uso do dinheiro.
Outro aspecto apontado é a importância de simplificar a vida financeira, reduzindo o número de contas bancárias e cartões de crédito e optando por pagamentos automáticos sempre que possível. Essa organização ajuda a evitar atrasos, cobranças de tarifas desnecessárias e diminui o risco de fraudes, um ponto de atenção especialmente relevante para a população idosa.
Janaina Gimael também ressalta que criar o hábito de poupar, mesmo que com valores reduzidos, contribui para a formação de uma reserva de emergência e oferece maior segurança em situações imprevistas. A regularidade, segundo ela, é mais importante do que o montante poupado, especialmente em uma fase da vida em que a previsibilidade financeira é fundamental.
O uso do crédito é outro tema que exige cautela. Ajustar o limite do cartão ao orçamento disponível e evitar utilizá-lo como complemento da renda são medidas que ajudam a prevenir o endividamento. Avaliar com atenção o empréstimo consignado também é essencial, já que o desconto direto na aposentadoria compromete a renda por períodos prolongados e pode limitar a capacidade financeira futura.
Por fim, a especialista lembra que conhecer os direitos e benefícios assegurados à população com mais de 60 anos pode gerar economia relevante no orçamento mensal. Isenções e descontos previstos em lei ainda são pouco conhecidos por parte dos idosos, mas podem contribuir para um envelhecimento mais seguro do ponto de vista financeiro.