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SUS passa a adotar insulina glargina em mudança no tratamento da diabetes

Nova fase do tratamento de diabetes no SUS começa com insulina de ação prolongada

Fonte: Da redação

O tratamento de pacientes com diabetes no Sistema Único de Saúde passa por uma mudança gradual com a introdução da insulina análoga de ação prolongada, a glargina, em substituição à insulina humana NPH. A transição foi iniciada pelo Ministério da Saúde e prevê a adoção progressiva do novo medicamento, começando por um projeto-piloto em unidades selecionadas do país.

Segundo a pasta, a insulina glargina apresenta ação contínua por até 24 horas, o que permite a manutenção dos níveis de glicose no sangue com apenas uma aplicação diária. A característica diferencia o medicamento da insulina NPH, que exige mais de uma aplicação ao longo do dia, impactando a rotina dos pacientes.

A fase inicial do projeto contempla os estados do Amapá, Paraná e Paraíba, além do Distrito Federal. Nessa etapa, a substituição será direcionada a crianças e adolescentes de até 17 anos diagnosticados com diabetes tipo 1 e a idosos com 80 anos ou mais que convivem com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa do Ministério da Saúde é de que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas nessa primeira fase.

Após os primeiros meses de implementação, o ministério informou que será realizada uma avaliação dos resultados clínicos e operacionais do projeto-piloto. Com base nessa análise, será elaborado um cronograma para a ampliação gradual da troca de insulina para os demais estados brasileiros, o que inclui a futura incorporação da medida em unidades do SUS em estados como o Maranhão.

De acordo com o Ministério da Saúde, a definição dos locais que participam do início da transição levou em consideração critérios como representatividade regional e capacidade de implementação, com o objetivo de testar o modelo em diferentes realidades do país. Paralelamente, profissionais das redes estaduais e distrital de saúde estão sendo capacitados para o uso correto das canetas aplicadoras e para a administração adequada do medicamento.

Os treinamentos começaram em 27 de janeiro e seguem até meados de fevereiro, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e a Biomm. Ao término desse processo, as equipes estarão aptas a iniciar a oferta da insulina glargina nos territórios contemplados.

A mudança integra um conjunto de ações orientadas por um grupo de trabalho instituído pelo Ministério da Saúde em novembro do ano passado, que avaliou alternativas para ampliar o acesso à insulina no SUS diante de restrições globais na produção de insulina NPH e regular. A escassez do insumo, registrada nos últimos anos, impactou o abastecimento em diversos países, incluindo o Brasil.

A introdução da glargina no SUS é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo que envolve o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a Biomm e a empresa chinesa Gan & Lee. A parceria prevê a transferência de tecnologia para a produção nacional do medicamento, fortalecendo a capacidade industrial do país na área de saúde.

Em 2025, mais de seis milhões de unidades da insulina glargina foram entregues ao SUS por meio dessa parceria, com investimento de R$ 131 milhões. A expectativa é alcançar, até o final de 2026, uma capacidade de produção de até 36 milhões de tubetes para abastecimento da rede pública.

Além da glargina, o Ministério da Saúde também conduz uma parceria para a fabricação nacional das insulinas NPH e regular, em frascos e tubetes. Esse acordo envolve a farmacêutica indiana Wockhardt, a Fundação Ezequiel Dias e a Biomm. O contrato prevê a entrega de oito milhões de unidades até 2026, sendo que quase dois milhões já foram fornecidos, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.

Em nota, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a ampliação da oferta de tratamentos para diabetes no SUS está associada ao fortalecimento do complexo industrial da saúde e ao uso do poder de compra do sistema público para garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população.

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