
O desaparecimento de três integrantes da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, completa 16 dias nessa terça-feira, 10, cercado de incertezas. Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde o fim de janeiro.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil, ganhou um novo desdobramento: a Corregedoria da Brigada Militar passou a acompanhar o caso, o que levanta a suspeita de eventual envolvimento de um policial militar. As autoridades, no entanto, não divulgaram a identidade do agente nem detalhes sobre a possível participação. A Corregedoria é responsável por fiscalizar a conduta de integrantes da corporação e apurar infrações disciplinares e criminais, atuando paralelamente à investigação principal.
Segundo o delegado responsável, Anderson Spier, novas pessoas devem ser ouvidas ao longo desta semana. A polícia também aguarda laudos de perícias realizadas em residências, veículos e imagens de câmeras de segurança.
Celular encontrado e movimentações suspeitas
Um celular localizado nas proximidades da casa dos idosos será submetido a perícia. A Polícia Civil evita comentar detalhes técnicos já analisados, mas trabalha com a hipótese de que tenha ocorrido um crime, como homicídio ou cárcere privado.
Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais afirmava que ela teria sofrido um acidente em Gramado, mas estaria bem. A polícia confirmou que o acidente nunca aconteceu e acredita que a postagem tenha sido feita para despistar o desaparecimento. Desde então, o celular dela permanece desligado.
Alertados por vizinhos, os pais saíram para procurar a filha no dia seguinte, 25 de janeiro. O casal chegou a ir até uma delegacia para registrar ocorrência, mas a unidade estava fechada. Após isso, também não foi mais visto.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave dentro da residência, o que reforça a suspeita de que ela não deixou o local voluntariamente.
Imagens e linhas de investigação
Câmeras de segurança registraram movimentação considerada atípica na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na residência às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo de Silvana apareceu entrando na garagem. Já às 23h30, outro automóvel chegou ao local, permaneceu por cerca de 12 minutos e deixou a área.
A polícia tenta identificar os veículos e verificar se se trata do mesmo carro nas diferentes imagens. Também apura quem conduzia o veículo de Silvana naquela noite.
Até o momento, a hipótese de sequestro foi descartada, já que não houve pedido de resgate. As principais linhas de investigação apontam para homicídio ou cárcere privado.
Perfil da família
Silvana é filha única do casal e morava nas proximidades dos pais, que são proprietários de um pequeno mercado anexo à residência. Ela trabalhava com vendas de cosméticos e tem um filho de 9 anos, que estava com o pai no fim de semana do desaparecimento.
Familiares e vizinhos descrevem Isail e Dalmira como pessoas tranquilas e queridas na comunidade. O relacionamento entre mãe, pai e filha, segundo relatos, era harmonioso.
Quinze dias depois, o caso segue sem respostas definitivas e mantém a comunidade apreensiva, enquanto a polícia aguarda os resultados periciais para avançar nas investigações.