A Receita Federal iniciou uma verificação interna para apurar se houve acesso indevido a informações fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares. O procedimento, que tramita sob sigilo, envolve aproximadamente 100 pessoas, incluindo os dez integrantes da Corte e parentes em linha direta, como pais, filhos, irmãos e cônjuges. A solicitação foi apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes.
A análise compreende cerca de 8 mil verificações técnicas nos sistemas do Fisco, com cruzamento de dados em aproximadamente 80 bases distintas. De acordo com informações apuradas, os relatórios já finalizados vêm sendo encaminhados diretamente ao gabinete do ministro responsável pelo pedido. A Receita informou que, por se tratar de processo sob sigilo judicial, eventuais informações só poderão ser divulgadas mediante autorização do próprio Supremo.
A medida foi formalizada no âmbito do inquérito das fake news, instaurado em 2019 para apurar ameaças e ataques contra membros do STF. O pedido incluiu todos os ministros da Corte e seus familiares nos graus de parentesco definidos para análise, sem indicação nominal individualizada. O expediente também foi direcionado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
O rastreamento ocorre em meio às investigações relacionadas à liquidação do Banco Master e às apurações sobre possíveis vazamentos de dados protegidos por sigilo fiscal e bancário. O caso envolve o empresário Daniel Vorcaro e tem sido objeto de análise por diferentes órgãos públicos. Na semana anterior ao avanço das verificações internas, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com registros de mensagens apreendidas em aparelho celular vinculado ao empresário.
O material encaminhado mencionou tratativas envolvendo a empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli declarou participação societária. O magistrado afirmou integrar o quadro societário da empresa e negou ter recebido valores do empresário. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria do processo após reunião reservada com os demais ministros, diante da repercussão institucional do caso.
Segundo relatos, integrantes do Supremo também questionaram diligências que teriam sido realizadas sem autorização prévia da Corte, o que ampliou o debate institucional. A Polícia Federal não integra o procedimento específico conduzido pela Receita para verificar eventuais acessos indevidos a dados fiscais.
Até o momento, o gabinete de Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre o andamento da verificação.