Mais da metade dos brasileiros declara confiar nas urnas eletrônicas, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada neste domingo (15). O levantamento aponta que 53% concordam com a afirmação de que o sistema eletrônico é confiável, enquanto 43% manifestam desconfiança. Outros 3% disseram não saber ou não responderam, e 1% afirmou que não concorda nem discorda.
A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 entrevistas presenciais. O estudo apresenta nível de confiança de 95%. O sistema eletrônico de votação é utilizado no país desde 1996.
Os dados mostram diferenças significativas conforme o voto declarado no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 69% afirmaram não confiar nas urnas, enquanto 26% disseram confiar. Já entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 75% declararam confiar no sistema eletrônico, ante 22% que indicaram desconfiança.
A divisão também aparece quando o recorte considera identificação política. Entre os que se declaram lulistas, 78% concordam que as urnas são confiáveis, percentual que sobe para 82% entre eleitores de esquerda não lulista. No campo oposto, 77% dos bolsonaristas e 65% da direita não bolsonarista afirmam discordar da confiabilidade do sistema.
Entre entrevistados que se identificam como independentes, 55% disseram confiar nas urnas eletrônicas, enquanto 41% manifestaram desconfiança. Regionalmente, os maiores índices de desconfiança foram registrados nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, com 48% em cada recorte. No Sudeste, 54% declararam confiar nas urnas, percentual que chega a 59% no Nordeste.
O levantamento também aponta diferença por religião. Entre evangélicos, 52% disseram não confiar nas urnas eletrônicas, enquanto 44% afirmaram considerá-las confiáveis.
O sistema de votação eletrônica foi alvo de questionamentos durante o governo de Jair Bolsonaro, incluindo tentativa de aprovação de proposta de emenda constitucional para adoção do voto impresso, rejeitada pela Câmara dos Deputados em 2021. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, as urnas possuem múltiplas camadas de proteção e não são conectadas à internet. Em anos eleitorais, o órgão também promove cerimônia de abertura do código-fonte para inspeção por entidades da sociedade civil.