Cirurgia de coluna entra na era robótica e muda o tratamento de hérnia de disco e artrodese no Brasil

Tecnologia combina planejamento em 3D e navegação para guiar implantes com alta precisão, reduzir agressão aos tecidos e tornar o pós-operatório mais previsível. Especialistas explicam o que realmente muda, para quem faz sentido e quais perguntas o paciente deve levar para a consulta

Fonte: Assessoria

A dor lombar é apontada como a principal causa de incapacidade no mundo em diversas análises de saúde pública, e a tendência é de alta com o envelhecimento da população.

Para muita gente, o caminho começa com tratamento conservador, como fisioterapia, ajustes de rotina, medicação e, em alguns casos, infiltrações. Quando a dor persiste, limita a vida e há sinais de compressão nervosa, a avaliação com cirurgiões especialistas em coluna entra na conversa para discutir riscos, benefícios e critérios de indicação.

Nos últimos anos, a cirurgia de coluna passou por um avanço que mudou o cenário de procedimentos como hérnia de disco e artrodese. Técnicas minimamente invasivas ganharam espaço e a robótica entrou como ferramenta de apoio em centros especializados.

O objetivo é bem prático, reduzir o tamanho do acesso, preservar musculatura, aumentar a precisão no posicionamento de implantes e diminuir a necessidade de raios X repetidos durante o ato cirúrgico.

Em Brasília, por exemplo, a implantação de robótica voltada à coluna em um grande hospital foi divulgada a partir de 2022 e ajudou a acelerar a discussão sobre protocolos, treinamento e seleção de casos no país, com marcos públicos reportados na imprensa local.

O que a cirurgia aberta tradicional exigia do corpo

“Durante décadas, a imagem da cirurgia de coluna ficou ligada a cortes maiores, descolamento muscular e recuperação lenta. Em abordagens abertas, o cirurgião precisava expor mais a anatomia para enxergar e trabalhar com segurança, principalmente em casos de artrodese, quando há necessidade de parafusos, hastes e outros implantes para estabilizar um segmento da coluna”, afirmaram especialistas em coluna de Goiânia.

Esse tipo de acesso costuma ter efeitos previsíveis:

  • Mais agressão aos músculos e aos tecidos ao redor
  • Maior dor no pós-operatório imediato
  • Maior risco de sangramento
  • Reabilitação com mais etapas e mais tempo para retomar atividades

Esse contexto também aumentava o desafio em anatomias complexas, deformidades, revisões cirúrgicas e pacientes com menor reserva clínica, como idosos e pessoas com múltiplas comorbidades.

Brasil amplia o uso, mas acesso ainda é concentrado

O mercado de cirurgia robótica cresceu de forma acelerada no Brasil. Entidades médicas e veículos especializados registraram aumento relevante no número de plataformas, com expansão expressiva entre 2018 e 2023. Mesmo com crescimento, a disponibilidade ainda se concentra em grandes centros e hospitais de alta complexidade.

O custo também pesa. Fontes setoriais citam valores de aquisição em torno de dezenas de milhões de reais e custos adicionais por procedimento ligados a manutenção e materiais específicos.

A tendência é que a chegada de novos fornecedores e o amadurecimento de programas de robótica pressionem custos, com impacto gradual no acesso.

A virada minimamente invasiva, e onde a robótica entra de verdade

A evolução veio primeiro com técnicas minimamente invasivas, usando tubos, microscópio, endoscopia e instrumentação percutânea. Em vez de descolar grandes massas musculares, a ideia é abrir um corredor entre as fibras, preservando o máximo possível.

A robótica entrou como o próximo passo em procedimentos que exigem alta precisão de implantes, especialmente nas artrodeses. O formato mais comum é o robô integrado à navegação:

  1. Exames de imagem são usados para criar um modelo 3D da coluna do paciente.
  2. O cirurgião planeja digitalmente a trajetória de cada implante.
  3. No centro cirúrgico, a navegação e o braço robótico ajudam a guiar o instrumental dentro do plano definido.

O ponto importante é simples: o robô não decide nem opera sozinho. Ele executa com estabilidade e repetibilidade o que foi planejado pelo cirurgião, reduzindo variações e ajudando a manter a trajetória ideal.

Precisão, radiação e previsibilidade: o que costuma melhorar

A principal promessa clínica da robótica na coluna não é fazer uma cirurgia que antes não existia. É tornar algumas etapas mais previsíveis e precisas.

Em comunicados de hospitais que implementaram plataformas como o Mazor, há relatos de acurácia alta na colocação de implantes, com números que chegam a até 99% em séries divulgadas pela própria instituição.

Na prática, os ganhos mais citados por equipes e centros são:

  • Melhor controle de trajetória na colocação de parafusos pediculares
  • Menor necessidade de ajustes durante a cirurgia
  • Potencial redução de exposição à radiação para equipe e paciente, quando o fluxo é bem estruturado
  • Possibilidade de abordar casos complexos com mais planejamento e previsibilidade

Esse conjunto tende a se somar às vantagens do acesso minimamente invasivo, como menor agressão muscular e dor pós-operatória mais controlável em muitos pacientes.

Hérnia de disco, artrodese e outras indicações comuns

Como destaca o Dr. Aurélio Arantes, médico ortopedista com atuação em Goiânia, especializado em cirurgia de coluna e com prática em técnicas minimamente invasivas, a cirurgia de coluna é indicada com critério. Em grande parte dos quadros, o tratamento conservador funciona e a cirurgia não é necessária.

Ela costuma ser considerada quando há falha do manejo clínico por tempo adequado, dor incapacitante persistente ou sinais neurológicos relevantes, como perda de força, piora progressiva de sensibilidade ou limitação para caminhar.

Condições frequentes na prática do consultório incluem:

  • Hérnia de disco lombar ou cervical com compressão e sintomas persistentes
  • Estenose do canal vertebral com limitação funcional
  • Instabilidade segmentar, como espondilolistese sintomática
  • Fraturas vertebrais, inclusive associadas a osteoporose, quando há indicação específica
  • Deformidades, como escoliose do adulto, quando a limitação funcional é importante

A escolha da técnica depende do diagnóstico, do nível de complexidade, do perfil do paciente e da experiência do cirurgião com cada abordagem.

O que o paciente precisa saber antes de escolher robótica

Robótica não é sinônimo de melhor cirurgia para todo mundo. Ela é uma ferramenta que pode fazer diferença principalmente quando há necessidade de instrumentação precisa, como em artrodeses, revisões e anatomias mais complexas.

Antes de optar, vale alinhar expectativas:

  • Nem toda cirurgia minimamente invasiva precisa de robô.
  • Nem todo caso é candidato a abordagem minimamente invasiva.
  • O resultado depende mais da indicação correta e da execução do que do nome da tecnologia.

Perguntas objetivas para levar à consulta

  • Qual é o diagnóstico exato e por que a cirurgia é indicada no meu caso?
  • Existe alternativa não cirúrgica ainda plausível para meu cenário?
  • Qual técnica você recomenda, aberta, minimamente invasiva, endoscópica, com navegação, com robótica, e por quê?
  • Qual é o objetivo do procedimento, aliviar dor, descomprimir nervo, estabilizar, corrigir deformidade?
  • Quais riscos são mais relevantes para meu perfil clínico?
  • Qual é o plano de reabilitação e quais marcos de retorno a atividades são realistas para mim?
  • Seu time realiza esse tipo de cirurgia com frequência? Qual é a estrutura hospitalar envolvida?

Tecnologia ajuda, mas a decisão continua sendo médica

A robótica é uma ferramenta poderosa, mas não substitui avaliação clínica, leitura de exames e indicação correta. O que muda o jogo para o paciente é o conjunto: diagnóstico bem feito, escolha do procedimento adequado, equipe experiente e reabilitação acompanhada.

Para quem convive com dor persistente e perda de qualidade de vida, o primeiro passo é uma consulta com ortopedista especialista em coluna, de preferência com profissionais que tenham rotina em casos complexos e sejam reconhecidos como melhores especialistas em cirurgia de coluna dentro da sua área de atuação.

A partir daí, com exame físico e imagem atualizada, dá para entender se o caso pede tratamento conservador, intervenção minimamente invasiva ou cirurgia com instrumentação, com ou sem apoio robótico.

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