Cirurgia robótica para prótese de joelho avança no Brasil e muda a vida de pacientes com artrose

Tecnologia adiciona navegação e limites de segurança ao procedimento, melhora a consistência do alinhamento e pode reduzir o trauma em tecidos moles. Entenda as diferenças em relação à técnica convencional e o que já existe no país

Fonte: Assessoria

A dor no joelho que atrapalha subir escadas, caminhar ou até dormir é uma queixa frequente, principalmente após os 60 anos. A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa que desgasta a cartilagem e altera toda a mecânica da articulação.

No Brasil, estimativas divulgadas em reportagens baseadas em estudos populacionais apontam que cerca de 12 milhões de pessoas convivem com osteoartrite. Em idosos, a frequência sobe e a doença aparece com destaque em ambulatórios de reumatologia, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Quando fisioterapia, fortalecimento muscular, controle de peso, analgésicos e infiltrações já não sustentam o dia a dia, a artroplastia total do joelho (a troca da articulação por uma prótese) passa a ser considerada.

Nos últimos anos, uma mudança ganhou espaço nessa cirurgia de prótese no joelho: a assistência robótica, que combina planejamento digital, navegação e um braço robótico ou guia motorizado para ajudar o cirurgião a executar cortes e posicionamento com maior repetibilidade.

Da técnica convencional à cirurgia assistida por robô: o que muda de verdade

A prótese de joelho feita pela técnica convencional é um procedimento consolidado, com décadas de evolução e grande volume mundial. Nessa abordagem, o cirurgião usa guias mecânicos e referências anatômicas para preparar fêmur e tíbia e, em seguida, posicionar os componentes do implante.

Mesmo com equipes experientes, a cirurgia envolve variáveis difíceis de padronizar em todos os casos, como pequenas diferenças no eixo do membro, deformidades, rigidez, qualidade óssea e o comportamento dos ligamentos.

Alterações pequenas no alinhamento e no balanço ligamentar podem influenciar dor, sensação de estabilidade e desgaste do implante ao longo do tempo.

Na cirurgia assistida por robô, a proposta não é trocar o cirurgião por uma máquina. O objetivo é acrescentar um sistema de navegação e controle que ajude a executar o planejamento com mais consistência, oferecendo dados em tempo real e reduzindo a chance de desvios fora da área programada.

Como a cirurgia robótica de joelho funciona na prática

O fluxo pode variar conforme a plataforma usada, mas costuma seguir etapas parecidas:

  • Mapeamento do joelho: pode ser com tomografia no pré-operatório ou com captura de pontos anatômicos durante a cirurgia (modelos chamados imageless).
  • Planejamento em 3D: o software cria um modelo da articulação e permite simular tamanho do implante, cortes e posicionamento, ajustando para a anatomia do paciente.
  • Navegação e checagens em tempo real: sensores e marcadores ajudam a mostrar, no monitor, como o joelho se comporta em diferentes ângulos, inclusive com testes de tensão dos ligamentos.
  • Execução com assistência: o cirurgião realiza os cortes e ajustes com ajuda de um braço robótico ou guia motorizado que limita movimentos fora do plano definido, aumentando a previsibilidade.
  • Implante e ajuste final: os componentes são fixados com ou sem cimento, conforme indicação e técnica da equipe, e o inserto de polietileno é colocado para permitir o deslizamento articular.

Benefícios possíveis e o que ainda depende de cada caso

Robótica não é sinônimo de recuperação milagrosa, mas pode ajudar em pontos que fazem diferença no pós-operatório e no resultado funcional, principalmente quando somada a protocolos modernos de reabilitação.

O que a tecnologia tende a melhorar:

  • maior consistência no posicionamento e no alinhamento do implante
  • ajuste mais fino do balanço ligamentar durante a cirurgia
  • planejamento mais personalizado, com simulação antes dos cortes
  • redução de cortes fora do alvo e maior controle do procedimento

O que costuma variar mesmo com robô:

  • tempo de internação, que depende do protocolo do hospital e das condições clínicas do paciente
  • dor e inchaço, influenciados por técnica, controle de sangramento, anestesia, fisioterapia e resposta individual
  • velocidade de retorno às atividades, que muda conforme força muscular prévia, adesão à reabilitação e comorbidades

Em centros com programas de recuperação acelerada, altas em 24 a 48 horas podem acontecer tanto na técnica convencional quanto na robótica, desde que o paciente esteja bem indicado e acompanhado por um especialista em prótese de joelho.

A diferença costuma aparecer mais na previsibilidade do encaixe e do alinhamento do que em promessas de prazo fixo para caminhar ou voltar a trabalhar.

Brasil já usa diferentes plataformas, mas o acesso ainda é desigual

A cirurgia robótica em ortopedia ganhou tração no Brasil na rede privada, com sistemas voltados para artroplastias de joelho e quadril. Entre as plataformas citadas por hospitais e fabricantes estão o ROSA Knee, o Mako e o CORI, além de modelos mais recentes que chegam a alguns centros.

Em novembro de 2024, o Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), divulgou a realização da primeira cirurgia ortopédica na América Latina com a plataforma SkyWalker para artroplastia, marcando a entrada de mais um sistema no país. A adoção, no entanto, segue concentrada em hospitais com alto investimento em tecnologia e equipes treinadas.

A prática também tem um marco regulatório. A cirurgia robótica foi normatizada pelo Conselho Federal de Medicina em 2022, com regras sobre estrutura hospitalar e capacitação do médico para operar a plataforma. Essa exigência ajuda a padronizar segurança e treinamento, ainda que a disponibilidade continue desigual entre regiões.

O custo é um dos principais freios. Muitos planos cobrem internação e materiais padrão, mas podem ter regras específicas para itens ligados ao sistema robótico, como sensores e descartáveis. No SUS, a oferta ainda é restrita, com poucos centros habilitados e grande demanda represada para artroplastias em geral.

O que observar ao escolher equipe e hospital

Robô é ferramenta. Resultado depende de indicação correta, experiência do cirurgião, qualidade do implante, estrutura hospitalar e reabilitação. Antes de decidir, vale olhar pontos práticos:

  • o cirurgião tem atuação focada em joelho e artroplastia?
  • quantos casos de prótese de joelho a equipe realiza por ano?
  • qual plataforma será usada e por que ela é indicada para seu caso?
  • como funciona o protocolo de recuperação, analgesia e fisioterapia?
  • quais riscos e possíveis complicações foram explicados de forma clara?
  • há plano para tromboprofilaxia, controle de dor e retorno gradual às atividades?

A cirurgia robótica para prótese de joelho é um avanço real na forma de planejar e executar artroplastias. Para pacientes com artrose avançada, pode significar um procedimento mais personalizado e com maior previsibilidade técnica.

A decisão, ainda assim, deve ser individualizada e tomada junto a um ortopedista especialista em joelho, com avaliação clínica completa e discussão transparente de benefícios, limites e riscos.

Nesse processo, buscar clínicas especialistas em prótese de joelho ajuda a garantir uma abordagem mais bem estruturada, com equipe experiente, exames adequados e acompanhamento no pré e no pós-operatório.

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