Sentir uma dor diferente no lado direito da barriga e achar que é só algo que comeu é mais comum do que parece. O problema é que, em alguns casos, essa dor é apendicite e o tempo conta.
A inflamação do apêndice pode piorar rápido e virar uma urgência, principalmente quando a dor aumenta, o corpo começa a dar sinais de infecção e a pessoa passa a ter dificuldade até para andar ou ficar em pé.
Apendicite não é uma dor que fica igual por dias. Ela costuma mudar de lugar e de intensidade, somando sintomas como enjoo, falta de apetite, febre e mal-estar.
Nem sempre todos os sinais aparecem juntos, o que confunde. Por isso, observar o conjunto e a evolução nas primeiras horas ajuda muito a decidir quando é hora de ir ao pronto atendimento sem enrolar.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Se você ou alguém próximo está com dor abdominal forte, febre ou piora rápida, procure atendimento. Em apendicite, adiar pode aumentar o risco de complicações e tornar o tratamento mais difícil do que precisava.
O que é apendicite e por que ela vira emergência
“Apendicite é a inflamação do apêndice, uma pequena estrutura ligada ao intestino grosso. Quando ele inflama, pode inchar, infeccionar e, em situações mais graves, perfurar”, explica Dr. Thiago Miranda Tredicci, médico gastroenterologista em Goiânia.
Quando acontece perfuração, o conteúdo infeccioso pode se espalhar dentro do abdômen e causar uma infecção mais extensa, exigindo tratamento mais intenso e internação maior.
A urgência existe porque a evolução pode ser rápida. Em algumas pessoas, a piora acontece em poucas horas. Em outras, é um pouco mais lenta, mas o risco segue presente. O ponto é simples: dor forte com piora e sinais gerais não é algo para esperar passar sozinho.
Sinais de alerta mais comuns
Os sintomas podem variar, mas existem sinais que aparecem com frequência. Nem todo mundo vai sentir do mesmo jeito, ainda mais crianças e adolescentes, que podem descrever a dor de forma diferente. Mesmo assim, alguns padrões ajudam a ligar o alerta.
- Dor abdominal que piora com o tempo: começa mais fraca e vai ficando mais intensa.
- Dor que muda de lugar: pode iniciar perto do umbigo e depois ir para a parte inferior direita.
- Enjoo e vômitos: geralmente surgem depois do início da dor.
- Perda de apetite: a pessoa não quer comer nem coisas que costuma gostar.
- Febre: pode começar baixa e aumentar com a progressão do quadro.
- Barriga sensível ao toque: apertar dói e, às vezes, soltar a mão dói ainda mais.
- Dificuldade para andar ereto: a pessoa anda curvada, protegendo o lado dolorido.
- Constipação ou diarreia: podem ocorrer, mesmo sem ser o sintoma principal.
Sinais que pedem atendimento imediato
Alguns sinais sugerem que o quadro pode estar ficando mais sério. Não significa que só nesses casos é apendicite, mas, se aparecerem, a ida ao serviço de urgência não deve ser adiada.
- Dor muito forte e localizada no lado direito inferior do abdômen.
- Febre alta ou febre que está subindo com o passar das horas.
- Vômitos repetidos e incapacidade de manter líquidos.
- Barriga endurecida e dor forte ao tocar.
- Piora rápida do estado geral, com fraqueza e mal-estar intenso.
- Dor com queda do apetite total e sensação de que algo está muito errado.
Onde dói na apendicite
A dor clássica costuma se concentrar no lado direito inferior do abdômen. Só que, no começo, ela pode ser mais difusa e próxima do umbigo. Com a inflamação avançando, ela tende a se localizar.
Em muitas pessoas, tossir, espirrar, pular ou dar passos mais firmes aumenta a dor. Isso acontece porque o movimento mexe com a região inflamada.
Existe uma pegadinha: a posição do apêndice pode variar um pouco no corpo, então a dor pode não ser exatamente no mesmo ponto em todas as pessoas.
Em gestantes, por exemplo, a dor pode aparecer mais acima conforme a barriga cresce. Por isso, o conjunto de sinais importa mais do que só o local exato.
O que pode confundir com apendicite
Vários problemas podem parecer apendicite, principalmente no início. Alguns exemplos são gastroenterite, infecção urinária, pedra no rim, inflamações intestinais e, em mulheres, problemas ginecológicos.
Por esse motivo, tentar se diagnosticar em casa costuma dar errado. A avaliação clínica e os exames ajudam a separar as causas e evitar atrasos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico normalmente junta três coisas: conversa sobre sintomas, exame físico e exames complementares. O médico avalia pontos de dor, reação do abdômen ao toque e sinais gerais como febre e desidratação.
- Exames de sangue: podem mostrar sinais de inflamação e infecção.
- Exame de urina: ajuda a descartar infecção urinária ou outras causas.
- Ultrassom: útil principalmente em crianças e jovens, dependendo do caso.
- Tomografia: costuma ser bem precisa quando há dúvida e pode mostrar gravidade.
Quando a suspeita está forte, o foco vira agir com segurança e rapidez. Se houver indicação de cirurgia, o ideal é não empurrar para depois.
Quando operar é urgente
Em muitos casos, a apendicite precisa de cirurgia para remover o apêndice, chamada apendicectomia. A urgência aumenta quando há sinais de infecção mais importante, dor intensa localizada, febre subindo, piora rápida ou suspeita de perfuração. Nessa fase, esperar pode aumentar risco de complicações e tornar a recuperação mais lenta.
Também existe a situação em que a pessoa não está com febre alta, mas a dor está evoluindo e a avaliação clínica aponta apendicite. Mesmo que pareça suportável, a inflamação pode estar avançando. Por isso, a decisão final é baseada no quadro completo e nos exames.
Cirurgia sempre é necessária?
Em parte dos casos selecionados, pode existir uma tentativa inicial com antibiótico, dependendo do que os exames mostram e do estado do paciente. Só que isso não é uma regra geral e não serve para todo mundo. O risco de o problema voltar ou piorar precisa ser avaliado com cuidado.
Muita gente escuta falar de antibiótico e acha que resolve sozinho em casa. Não é assim. Quando há sinais de complicação, a cirurgia passa a ser o caminho mais seguro.
Se você quer entender esse tipo de decisão com mais clareza, vale buscar a avaliação de um cirurgião gastrointestinal, porque é esse especialista que acompanha de perto casos do intestino e urgências abdominais.
Como é a cirurgia e quanto tempo dura
A apendicectomia pode ser feita por técnica aberta ou por videolaparoscopia, que usa pequenas incisões. A escolha depende do quadro, da disponibilidade e da avaliação da equipe.
Em muitos casos, a videolaparoscopia permite recuperação mais rápida e menos dor na cicatriz, mas o mais importante é tratar a inflamação no tempo certo.
O tempo de cirurgia varia, e o período no hospital depende da gravidade. Quando a apendicite está no começo, a alta pode ser mais rápida. Quando existe perfuração ou infecção espalhada, o cuidado costuma ser maior e a internação pode se estender.
Recuperação: o que esperar nos primeiros dias
A recuperação muda conforme a técnica e o estágio da doença. De forma geral, é comum precisar ajustar rotina, repousar e seguir orientações de alimentação e atividade física.
Algumas recomendações costumam aparecer com frequência, mas sempre vale seguir o que foi passado pela equipe que operou.
- Respeitar o repouso e evitar esforço nas primeiras semanas.
- Retomar a alimentação de forma gradual, observando enjoos e tolerância.
- Manter a hidratação e caminhar leve quando liberado, para ajudar o intestino a voltar ao ritmo.
- Observar a ferida operatória e procurar atendimento se houver vermelhidão forte, secreção, febre ou dor que piora.
Apendicite em crianças e adolescentes
Em crianças, a dificuldade maior é a descrição do que sentem. Às vezes, elas dizem que a barriga dói, ficam mais quietas, recusam comida e apresentam vômito. A febre pode vir junto. Adolescentes podem tentar segurar a dor ou achar que é apenas algo passageiro.
Se a dor abdominal está forte, piorando e acompanhada de enjoo e perda de apetite, a avaliação precisa ser rápida. Em casa, o mais seguro é evitar automedicação e não forçar alimentação.
O que não fazer quando suspeita de apendicite
Algumas atitudes comuns podem atrapalhar a avaliação ou piorar o desconforto. O objetivo, se houver suspeita, é chegar ao atendimento com o quadro o mais claro possível.
- Não tomar laxantes para tentar soltar o intestino.
- Não usar anti-inflamatório por conta própria para mascarar sintomas.
- Não colocar calor na barriga para tentar aliviar sem saber a causa.
- Não ficar comendo pesado para testar se passa.
- Não esperar dias para ver se melhora se a dor está aumentando.
Quando marcar consulta e quando ir direto ao pronto atendimento
Quando a dor é leve, não piora e não vem com febre, pode ser que o médico avalie em consulta. Só que, quando o quadro tem piora rápida, dor forte localizada, febre e vômitos, o cenário muda e o pronto atendimento passa a ser o caminho mais seguro.
Se você quer acompanhar conteúdos e orientações de um profissional que lida com esse tipo de quadro no dia a dia, pode valer seguir a ideia de consulta com um gastrocirurgião, principalmente para entender sinais que diferenciam desconfortos comuns de situações que exigem ação rápida.
Perguntas rápidas que muita gente faz
- Quanto tempo a apendicite demora para piorar?
Pode variar, mas a piora pode acontecer em horas. Se a dor está aumentando e surgem febre e vômito, não é hora de esperar. - A dor sempre fica do lado direito?
Muitas vezes sim, mas pode começar perto do umbigo e depois localizar, e também pode variar conforme a posição do apêndice. - Tem como confirmar em casa?
Não. O diagnóstico depende de avaliação médica e, muitas vezes, de exames. - Depois de operar, a pessoa volta ao normal rápido?
Quando é um caso simples, tende a voltar mais rápido. Quando há complicação, a recuperação pode ser mais lenta e exigir mais cuidados.
Conclusão
Apendicite costuma dar sinais que evoluem e vão se somando, não é um desconforto que fica igual e some do nada. Dor que piora, febre, enjoo, falta de apetite e dificuldade para se movimentar são avisos importantes.
Quando a suspeita aparece, o melhor caminho é avaliação rápida, porque operar no momento certo costuma ser mais simples do que tratar complicações por atraso.