
Uma audiência realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), na quinta-feira (26), colocou novamente em evidência a instabilidade do transporte público de São Luís e elevou a preocupação com a possibilidade de uma nova paralisação dos rodoviários.
O encontro foi conduzido pelo vice-presidente e corregedor do tribunal, desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho, e reuniu representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís e do Consórcio Via SL, responsável pela operação das empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna.
Durante a reunião, os trabalhadores relataram pendências trabalhistas, especialmente relacionadas ao atraso no pagamento de salários, situação que tem gerado crescente insatisfação entre os profissionais do setor. Já as empresas argumentaram que enfrentam dificuldades financeiras decorrentes da queda de arrecadação e do cenário econômico adverso, além dos impactos do processo de recuperação judicial.
Na mediação, o magistrado destacou que a construção de soluções por meio do diálogo é fundamental para evitar prejuízos à população e garantir a continuidade do serviço essencial, além de assegurar o cumprimento das obrigações trabalhistas.
Como medidas iniciais, o TRT determinou o envio de solicitações formais à Comarca de Paço do Lumiar para atualização das informações sobre a recuperação judicial do consórcio. A Prefeitura de São Luís também foi acionada para prestar esclarecimentos sobre os contratos e a situação operacional das empresas que atuam no sistema de transporte coletivo. Paralelamente, será feito um levantamento das ações trabalhistas individuais existentes contra as operadoras.
Apesar da tentativa de conciliação, não houve avanço imediato nas negociações, mantendo o ambiente de incerteza no setor. O cenário reforça o risco de uma nova greve dos rodoviários, que poderia comprometer o deslocamento diário de milhares de passageiros na capital maranhense.
O caso segue em acompanhamento pela Justiça do Trabalho enquanto novas rodadas de diálogo devem ocorrer na tentativa de evitar a interrupção do serviço.