O câncer colorretal deixou de ser uma doença associada exclusivamente a pessoas mais velhas. O tipo de tumor registra crescimento expressivo entre indivíduos com menos de 50 anos, inclusive em pacientes sem os fatores de risco tradicionalmente conhecidos, o que tem ampliado a preocupação entre especialistas e reforçado a importância da atenção aos sintomas em qualquer faixa etária. O alerta ganha destaque no Março Azul, campanha anual dedicada à conscientização sobre a doença.
Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil deve registrar cerca de 54 mil novos casos de câncer colorretal por ano até 2028. Entre os pacientes mais jovens, o diagnóstico frequentemente ocorre em estágios mais avançados, o que compromete as perspectivas de tratamento. Mudanças no estilo de vida estão entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário, incluindo o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo, o excesso de peso, o tabagismo e o consumo de álcool.
A oncologista Maria Ignez Braghiroli, especialista em tumores do trato digestivo, afirma que o perfil dos pacientes atendidos mudou de forma significativa. Segundo ela, a doença exige maior atenção aos sintomas e ao histórico familiar, independentemente da idade do paciente.
Entre os sinais que não devem ser ignorados estão o sangramento pelo ânus ou a presença de sangue nas fezes, mesmo que esporádico; mudanças persistentes no hábito intestinal, como diarreia, prisão de ventre prolongada ou alteração na consistência das fezes; dor ou desconforto abdominal frequente sem causa aparente; sensação de evacuação incompleta; perda de peso involuntária; e fraqueza ou cansaço excessivo associados à anemia, que podem indicar perda crônica de sangue pelo intestino.
A especialista ressalta que sangramento intestinal, alteração do hábito intestinal e anemia não devem ser naturalizados em nenhuma faixa etária, e que a investigação precoce é determinante para o prognóstico.
O câncer colorretal está entre os tumores com maior potencial de prevenção. Cerca de 90% dos casos se desenvolvem a partir de pólipos benignos, que podem ser identificados e removidos durante a colonoscopia antes de evoluírem para a malignidade. As sociedades médicas recomendam o início do rastreamento aos 45 anos para pessoas sem fatores de risco, e em idade anterior para quem tem histórico familiar da doença. Hábitos como alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física, controle do peso, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool também contribuem para a redução do risco.