Maranhão tem segunda maior incidência de câncer do colo do útero

Maranhão deve registrar mais de mil casos de câncer do colo do útero em 2026, segunda maior incidência entre mulheres no estado

Fonte: Da redação com Assessoria

O Maranhão deve registrar mais de mil novos casos de câncer do colo do útero apenas em 2026, o que coloca a doença como a segunda neoplasia de maior incidência entre mulheres no estado, superada apenas pelo câncer de mama, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer. Os números maranhenses refletem um problema de saúde pública que se reproduz em escala nacional: o câncer do colo do útero é a quarta causa de morte por neoplasia entre mulheres no Brasil, respondendo por cerca de 7,2 mil óbitos por ano. É em torno desse contexto que o Março Lilás, campanha mensal de conscientização sobre a doença, concentra suas ações de prevenção, vacinação e rastreamento ao longo de todo o mês.

Por trás da maior parte dos casos está a infecção persistente pelo papilomavírus humano, o HPV, principal agente causal do câncer do colo do útero. A relação direta entre o vírus e o desenvolvimento da doença é o elemento central que fundamenta as estratégias de prevenção adotadas pelo sistema de saúde brasileiro, especialmente a vacinação e o rastreamento periódico por meio do exame Papanicolau.

A doença tem evolução lenta e, nos estágios iniciais, costuma não apresentar sintomas, o que torna o rastreamento regular ainda mais importante. Quando os sinais aparecem, geralmente indicam fases mais avançadas. Entre os mais comuns estão sangramento vaginal fora do período menstrual, após relações sexuais ou durante a menopausa, além de corrimento persistente.

O ginecologista André Buarque, aponta que outros sintomas também merecem atenção, como constipação, trombose em membros inferiores e insuficiência renal, que podem surgir quando a doença já está em estado avançado e começa a comprometer estruturas adjacentes ao colo do útero.

O especialista ressalta que o câncer do colo do útero se desenvolve a partir de lesões precursoras chamadas neoplasias intraepiteliais cervicais, conhecidas pela sigla NIC, que podem ser identificadas e tratadas quando detectadas precocemente, antes de evoluírem para a malignidade. Por isso, o acompanhamento médico regular é determinante para o prognóstico. Segundo Buarque, o diagnóstico em estágios iniciais aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e de desfechos favoráveis para as pacientes, mesmo na ausência de qualquer sintoma perceptível.

A principal estratégia de prevenção é a vacinação contra o HPV, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde para adolescentes de 9 a 14 anos. A imunização é considerada a forma mais eficaz de proteção contra os tipos virais de maior risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Complementarmente, o exame Papanicolau segue como ferramenta indispensável para o rastreamento de alterações celulares iniciais no colo do útero, sendo recomendado de forma periódica para mulheres em idade fértil e também após a menopausa.

No contexto do Março Lilás, especialistas reforçam que a combinação entre informação, vacinação, exames regulares e atenção aos sinais de alerta representa a estratégia mais eficaz para reduzir os índices de mortalidade e a carga que a doença impõe ao sistema de saúde pública, especialmente em estados como o Maranhão, onde a incidência estimada é elevada e a cobertura dos serviços preventivos ainda enfrenta desafios estruturais.

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