
O Tribunal do Júri de Açailândia, no sul do Maranhão, condenou nesta segunda-feira, 16, o empresário Jhonnatan Silva Barbosa a 9 anos de prisão em regime inicialmente fechado pelo crime de tentativa de homicídio triplamente qualificado contra Gabriel Silva Nascimento. O julgamento ocorreu após três adiamentos anteriores do processo e se estendeu ao longo do dia, com a oitiva de seis testemunhas, incluindo a própria vítima, além dos depoimentos da acusação, da defesa e do próprio réu, que permaneceu acompanhado de dois defensores públicos durante toda a sessão.
O crime ocorreu em dezembro de 2021, na porta da residência de Gabriel Silva Nascimento, enquanto ele realizava manutenção em seu veículo antes de uma viagem. Segundo a denúncia, Jhonnatan Barbosa e uma mulher identificada como Ana Paula Costa Vidal agrediram a vítima com socos, chutes e asfixia, confundindo-a com um ladrão. Mais de quatro anos depois das agressões, Gabriel foi o primeiro a depor diante do juiz e dos jurados e afirmou aguardar ansioso pelo julgamento, expressando também o desejo de que a coautora fosse igualmente responsabilizada.
Para o Ministério Público, que conduziu a acusação no julgamento, não havia dúvida sobre a intenção homicida de Jhonnatan Barbosa. A promotoria sustentou que as manobras realizadas pelo réu durante as agressões demonstram de forma inequívoca o propósito de matar a vítima, o que fundamentou a imputação de tentativa de homicídio qualificado.
A defesa de Gabriel Silva Nascimento sustentou ao longo do processo que o crime foi motivado por racismo, argumentando que o réu identificou a vítima como suspeita exclusivamente por ela ser negra, sem qualquer outro elemento que justificasse tal conclusão. O caso foi acompanhado desde o início pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán, entidade que atua no combate ao racismo e na defesa dos direitos humanos na região. A organização destacou a importância de que a Justiça ofereça resposta adequada a casos dessa natureza, para que a sociedade compreenda a gravidade das condutas e o impacto do racismo estrutural.
Apesar da discussão sobre a motivação racial ter permeado o julgamento, os jurados optaram por não reconhecer o racismo como qualificadora do crime. O processo foi desmembrado, e Ana Paula Costa Vidal, apontada como participante das agressões, responderá separadamente por lesão corporal em julgamento ainda a ser agendado.