Viagem de Lulinha com “Careca do INSS vem à tona, e defesa nega ligação com fraudes

Advogado confirma encontro com lobista preso, mas afirma que não houve negócios, nem repasses financeiros.

Fonte: Com informações de Reynaldo Turollo Jr, g1 — Brasília
Defesa de Lulinha confirmou viagem com “Careca do INSS” (Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo)

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, confirmou que ele esteve em Portugal, em 2024, ao lado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais investigados em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (16) pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, que destacou que a viagem ocorreu a convite do lobista, com o objetivo de visitar uma empresa do setor de cannabis medicinal. Segundo ele, não houve qualquer vínculo comercial entre as partes.

Apesar de admitir o contato, a defesa negou qualquer irregularidade. De acordo com o advogado, Lulinha não participou do esquema investigado, não tinha conhecimento das fraudes e não recebeu recursos ilícitos.

O caso está sob investigação da Polícia Federal, no âmbito da Operação Sem Desconto, e também é analisado pela CPMI do INSS, no Congresso Nacional.

Entre os pontos apurados, estão transferências que somam R$ 1,5 milhão, realizadas por empresa ligada ao lobista para uma empresa da empresária Roberta Luchsinger, próxima ao círculo pessoal de Lulinha. A defesa sustenta que não há relação entre esses valores e o filho do presidente.

Mensagens obtidas pela investigação e o depoimento de um ex-funcionário do lobista levantaram suspeitas sobre possíveis repasses indiretos, incluindo a menção a uma suposta “mesada”, hipótese que foi negada pelos advogados.

A Polícia Federal também teve acesso aos dados bancários e fiscais de Lulinha, que apontam movimentação de cerca de R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026. Segundo a defesa, todas as operações são regulares e compatíveis com suas atividades.

O advogado também negou que Lulinha tenha atuado como intermediador ou exercido influência junto a órgãos públicos, como o Ministério da Saúde ou a Anvisa, para favorecer empresas ligadas ao investigado.

A quebra de sigilo determinada pela CPMI chegou a ser suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e ainda aguarda análise definitiva do plenário.

As investigações continuam para esclarecer a atuação dos envolvidos e a possível existência de conexões com o esquema de fraudes no INSS.

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