Assembleia Legislativa autoriza CPI para investigar vice-governador Felipe Camarão

Com base em relatórios do Coaf e investigações do Gaeco, comissão vai apurar suspeitas de movimentações financeiras atípicas.

Fonte: Redação

CPI vai investigar denúncias envolvendo o vice-governador Felipe Camarão (Foto: Divulgação)

A Assembleia Legislativa do Maranhão autorizou, nesta quarta-feira (25), a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias envolvendo o vice-governador Felipe Camarão. O requerimento foi lido em plenário pelo deputado Ricardo Arruda e agora segue para publicação oficial, etapa que formaliza a instalação da comissão e permite a indicação de seus integrantes.

O pedido contou com 23 assinaturas, número suficiente para abertura da CPI conforme o regimento interno da Casa. A iniciativa foi motivada por informações que circulam entre parlamentares e que apontam possíveis irregularidades em movimentações financeiras consideradas atípicas.

Parte dessas suspeitas tem origem em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicariam operações fora do padrão, incluindo transferências via Pix. Também é citado um relatório com cerca de 60 páginas, atribuído ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), reunindo dados e conexões que, segundo deputados, precisam de aprofundamento.

Paralelamente, o caso também é alvo de investigação judicial. O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), registrou que o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda já teve acesso aos autos do procedimento que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o vice-governador. A decisão encerrou um habeas corpus apresentado pela defesa do policial, que solicitava acesso integral às investigações.

Segundo as apurações, dados do Coaf apontam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda de Thiago Brasil Arruda e do major Alexandre Guimarães Nascimento. Parte desses valores teria sido direcionada a contas vinculadas a Camarão, o que levou o caso ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), em razão do foro do vice-governador. Há ainda um pedido de afastamento cautelar das partes envolvidas em análise.

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) também acompanha o caso e solicitou esclarecimentos ao TJ-MA sobre um possível vazamento de informações sigilosas, ocorrido no último dia 20 de março. A apuração tramita sob sigilo, e, segundo o órgão, a divulgação indevida pode comprometer investigações em andamento.

Em manifestação pública, Felipe Camarão criticou o vazamento e classificou o episódio como “criminoso”. O vice-governador afirmou não ter tido acesso prévio ao conteúdo das investigações e sugeriu motivação política por trás da divulgação. Ele também informou que pretende acionar a Justiça para apurar eventuais irregularidades no caso.

Com a instalação da CPI, caberá agora às bancadas indicar os deputados que irão compor a comissão, além da escolha do presidente e do relator, responsáveis por conduzir os trabalhos e definir as linhas iniciais de investigação.

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