Dois anos depois de sua criação, o programa Pé-de-Meia acumula resultados expressivos no Maranhão. A taxa de abandono escolar no ensino médio recuou de 4,9%, registrada em 2022, para 3,4% em 2024, uma queda de 31% no número de estudantes fora da escola. No mesmo período, a distorção idade-série, indicador que mede o atraso escolar, caiu 15% entre 2022 e 2025. Ao todo, 322.841 estudantes maranhenses foram beneficiados pelo programa desde sua implantação, o que corresponde a 76% do total de alunos matriculados nas redes públicas do estado.
O perfil dos beneficiários revela o alcance social da iniciativa. Entre os participantes maranhenses, 91,5% são negros, entre pretos e pardos, e 51,4% são do sexo feminino. Nos dois anos de operação, 1.594 estudantes indígenas do estado receberam o incentivo. O programa é voltado a jovens de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais, com renda de até meio salário mínimo por pessoa.
O modelo de incentivo financeiro combina parcelas mensais com depósitos de longo prazo. Os estudantes recebem R$ 200 por mês condicionados à manutenção da frequência escolar, valor que pode ser utilizado imediatamente para cobrir gastos cotidianos. Ao concluir cada ano letivo com aprovação, é depositado R$ 1.000 em uma poupança vinculada, que só pode ser sacada após a conclusão do ensino médio. Há ainda uma parcela adicional para os alunos que participam do Exame Nacional do Ensino Médio no ano de encerramento do curso, reforçando o estímulo à conclusão dessa etapa.
Em escala nacional, o Pé-de-Meia alcançou 5,6 milhões de estudantes com um investimento total de R$ 18,6 bilhões, contribuindo para uma redução de 43% na taxa de abandono escolar no ensino médio público em todo o país. Instituído pela Lei nº 14.818/2024, o programa tem como objetivo central democratizar o acesso à educação, reduzir a desigualdade social entre jovens do ensino médio e estimular a mobilidade social por meio da permanência escolar.