O Maranhão foi um dos estados mais impactados pela alta no preço do diesel S-10 em março, registrando o terceiro maior avanço percentual do país no período. Segundo levantamento da ValeCard, o litro passou de R$ 6,226 para R$ 7,053 no estado, uma elevação de 13,28% em relação a fevereiro. Apenas Rio Grande do Sul, com alta de 13,75%, e Santa Catarina, com avanço de 13,52%, apresentaram variações superiores às registradas no Maranhão.
A marca de R$ 7 por litro de diesel no estado representa um patamar que pressiona diretamente os custos do transporte de cargas, especialmente em um contexto em que o Maranhão já enfrenta tensões no setor rodoviário e no escoamento da produção agrícola pela BR-135 e pelo Porto do Itaqui. Para os caminhoneiros, o impacto é direto e imediato sobre a margem de cada viagem.
O salto nos preços tem origem no mercado internacional. A guerra no Oriente Médio elevou as cotações do petróleo tipo Brent a patamares superiores a US$ 100 ao longo de março, pressionando tanto os custos de importação quanto os reajustes nas refinarias nacionais. Entre 25% e 30% do diesel consumido no Brasil é atendido por produto importado, e parte da produção nacional também vem de refinarias privadas com preços vinculados ao mercado externo, o que amplia a transmissão das variações internacionais para as bombas.
Os dados consolidados das três plataformas de gestão de mobilidade consultadas apontam na mesma direção. A ValeCard registrou alta média de 9,26% no país, com o litro do diesel S-10 passando de R$ 6,309 para R$ 6,893. A Edenred Mobilidade apontou elevação média de 13,60%, com o litro nacional chegando a R$ 7,100. A Veloe registrou a maior alta entre os três sistemas, de 14%, com o preço médio atingindo R$ 7,065 por litro. No recorte regional, o Nordeste registrou alta de 14,17% pelo levantamento da Edenred, acima da média nacional.
A gasolina comum teve trajetória mais moderada. A ValeCard apontou avanço de 3,78% no país, com o litro passando de R$ 6,462 para R$ 6,706. O etanol apresentou comportamento mais estável, com variações entre 0,8% e 1,30% dependendo da fonte consultada.
Especialistas do setor alertam que não há sinais claros de reversão no curto prazo. Medidas do governo federal, como a manutenção da desoneração do PIS/Cofins e a subvenção ao diesel, ajudaram a amortecer parte do impacto, mas não foram suficientes para evitar o avanço nas bombas. O cenário, segundo os analistas, permanece sensível tanto a fatores externos, como a evolução do conflito no Oriente Médio e as cotações do petróleo, quanto a variáveis domésticas relacionadas à política de preços da Petrobras e à dinâmica cambial.