
O Maranhão já registrou quatro mortes por dengue em 2026. A informação consta do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde. Além do óbito confirmado, outros cinco casos estão em investigação no estado para verificar se também foram provocados pela doença. Em todo o Brasil, até o momento, já foram registradas 57 mortes por dengue neste ano, além de 148 óbitos que ainda estão sendo analisados pelas autoridades de saúde.
Os dados mostram que a doença segue sendo um problema de saúde pública. Em 2025, o Maranhão registrou cinco mortes por dengue. Já em 2024, foram contabilizados oito óbitos relacionados à infecção, segundo o mesmo levantamento do Ministério da Saúde.
Especialistas alertam que o combate ao mosquito transmissor continua sendo a principal forma de prevenção. De acordo com o biomédico e especialista em Saúde Pública Rodrigo Franco, professor do IDOMED, a maioria dos focos do mosquito está dentro ou ao redor das próprias residências.
“Estatisticamente, cerca de 80% dos criadouros do mosquito da dengue estão dentro das casas ou em seus arredores. Pratos de plantas, garrafas pet, tampas de garrafa e qualquer recipiente que acumule água pode servir de criadouro. O mosquito é doméstico, ele vive onde nós vivemos, então o combate ao Aedes aegypti precisa ser individual. Cada pessoa fazendo a sua parte ajuda a promover uma proteção coletiva”, explica.
O especialista também chama a atenção para um equívoco comum: a ideia de que o mosquito só se reproduz em grandes volumes de água ou em ambientes muito sujos. Segundo ele, o Aedes aegypti é altamente adaptável e precisa de quantidades mínimas de água para depositar seus ovos.
“Os ovos do mosquito são extremamente resistentes e podem sobreviver em ambientes secos por mais de um ano, aguardando apenas a chegada das chuvas e o acúmulo de água para eclodir. Por isso, o combate ao mosquito precisa ser contínuo”, afirma.
AGRAVAMENTO
Nos casos de adoecimento por dengue, é importante ficar atento aos sinais de agravamento da doença. Entre os sintomas que exigem atenção estão dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramentos em mucosas, como gengivas, nariz ou olhos. Nessas situações, mesmo quem já está em tratamento deve procurar atendimento médico imediatamente.
Segundo Rodrigo Franco, embora muitas vezes seja vista como uma doença simples, a dengue pode evoluir para quadros graves. “A dengue é uma doença sistêmica, que pode comprometer todo o organismo. Ela tem o potencial de provocar uma inflamação generalizada e pode afetar a integridade dos vasos sanguíneos”, explica.
Nos casos mais graves, o paciente pode evoluir para choque hipovolêmico, quando ocorre uma queda brusca da pressão arterial e prejuízo da circulação sanguínea, comprometendo o funcionamento de órgãos vitais, como rins e fígado.
Outro risco está na automedicação. O especialista alerta que medicamentos à base de ácido acetilsalicílico não devem ser utilizados em casos suspeitos de dengue. “Eles podem aumentar o risco de sangramentos e favorecer o desenvolvimento da forma hemorrágica da doença”, conclui.