
De olho na oscilação do mercado aéreo e na tendência de aumento das passagens, o Maranhão decidiu agir antes. O estado iniciou um movimento estratégico para negociar bloqueios diretos de voos junto a operadoras e consolidar um fluxo mais estável de turistas ao longo do ano.
A ofensiva começou com um roadshow em São Paulo, realizado entre os dias 6 e 17 de abril, reunindo agentes de viagem e empresas do setor. A ideia é simples na forma, mas decisiva na prática: garantir assentos previamente negociados, reduzir impactos de variações tarifárias e manter a competitividade do destino no principal mercado emissor de visitantes para o Maranhão.
Mais do que uma ação promocional, o movimento busca dar previsibilidade ao turismo local, especialmente em períodos de alta demanda, quando o custo das passagens costuma afastar potenciais viajantes.
Estratégia mira venda constante e menos sazonalidade
Durante os encontros, o estado apresenta um portfólio que vai além dos cartões-postais. Lençóis Maranhenses, Chapada das Mesas, Delta das Américas e o Centro Histórico de São Luís aparecem como parte de um conjunto de experiências que dialogam com diferentes perfis de turistas.
O foco está em manter a venda ativa durante todo o calendário, reduzindo a dependência de datas específicas e ampliando a permanência média dos visitantes. A negociação de bloqueios aéreos entra como peça-chave nesse cenário, permitindo maior controle sobre a oferta e os preços.
São João como motor de atração em larga escala
Na sequência da agenda, o Maranhão desembarca na WTM Latin America, uma das principais feiras do setor, levando como destaque o São João — tratado como um produto turístico estruturado e de grande apelo cultural.
A proposta envolve pacotes temáticos que combinam festas populares, roteiros integrados e experiências imersivas, com apresentações de bumba meu boi, quadrilhas e outras manifestações tradicionais ao longo de várias semanas.
A estratégia amplia a janela de comercialização e transforma o período junino em um vetor de atração nacional e internacional.
Estrutura e serviços entram no radar
Paralelamente à promoção, o estado também aposta na melhoria da experiência do visitante. Investimentos em infraestrutura, qualificação de serviços, mobilidade e segurança fazem parte do pacote que sustenta a estratégia.
A lógica é clara: não basta atrair turistas — é preciso garantir que eles tenham motivos para ficar mais tempo e, principalmente, voltar.
Com o olhar voltado para o mercado e uma atuação antecipada diante das variações do setor aéreo, o Maranhão tenta consolidar um modelo menos vulnerável à sazonalidade e mais conectado às dinâmicas do turismo nacional.