
O Maranhão se destacou em dois indicadores relevantes das finanças públicas estaduais em 2025: registrou o terceiro maior crescimento real de investimentos do país no período e figurou entre os estados com menor comprometimento da receita com despesas correntes, posicionando-se com um dos perfis fiscais mais equilibrados do Brasil em ano de pré-eleição.
Segundo levantamento da Aequus Consultoria Econômica com base nos relatórios de execução orçamentária dos estados, o Maranhão registrou alta real de 59% nos investimentos em 2025 em relação ao ano anterior, terceira maior variação entre todos os estados brasileiros. O crescimento maranhense ficou atrás apenas de Goiás, que liderou o ranking com expansão de 80,2%, e de Sergipe, com alta de 62,8%. Na sequência aparecem Amapá e Pernambuco, com 43,7% e 39,7%, respectivamente.
O resultado coloca o Maranhão em um grupo seleto de estados que combinaram expansão expressiva dos investimentos com relativa disciplina fiscal. Enquanto o cenário nacional aponta para um aumento generalizado do comprometimento das receitas com despesas correntes, o estado apresentou o segundo menor índice desse indicador entre todos os entes subnacionais analisados. O comprometimento maranhense ficou em 83,7% da receita corrente, superado apenas pelo Espírito Santo, que registrou 82,4%, e à frente de Mato Grosso, com 84,2%. A média nacional subiu de 92,8% em 2024 para 94,2% em 2025, o que torna o desempenho maranhense ainda mais destacado no contexto geral.
O crescimento dos investimentos no Maranhão integra uma tendência nacional, mas com intensidade superior à média. No conjunto dos 26 estados e do Distrito Federal, os investimentos atingiram R$ 119,75 bilhões em 2025, com alta real de 7,9% em relação a 2024. O Maranhão está entre os 12 entes federativos que registraram crescimento superior a 10%, um grupo que inclui Acre, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe. Dentro desse grupo, seis estados, entre eles o Maranhão, registraram alta acima de 30%.
O quadro nacional, no entanto, traz alertas que também devem ser monitorados pelo estado. O avanço dos investimentos em todo o Brasil foi acompanhado por maior comprometimento das receitas com despesas correntes e por redução expressiva do caixa disponível dos estados, que caiu de R$ 53,99 bilhões em 2024 para R$ 29,41 bilhões em 2025. Especialistas apontam que parte do financiamento dos investimentos veio de operações de crédito, que atingiram R$ 31,69 bilhões no país em 2025, maior volume desde pelo menos 2018, e alertam para o risco de pressão sobre despesas correntes nos anos seguintes.