
A cientista entra para a história como a primeira brasileira a conquistar o World Food Prize, popularmente conhecido como o “Nobel da Agricultura”. O prêmio reconheceu que o uso de microrganismos é capaz de substituir fertilizantes químicos, reduzindo custos de produção e impactos ambientais.
A pesquisadora da Embrapa Soja é considerada uma das maiores cientistas do mundo, Mariângela Hungria foi laureada na edição de 2025 do Prêmio Mundial de Alimentação, concedido pela Fundação Prêmio Mundial de Alimentação.
Ela também foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Times.
Sustentabilidade
A Dra. Hungria demonstrou que os fertilizantes biológicos podem cumprir a mesma função dos sintéticos, porém com maior eficiência e sustentabilidade. Ela explica que, assim como os seres humanos, as plantas necessitam de nutrientes — e o nitrogênio é um dos principais.
Além de oneroso e poluente, o nitrogênio sintético não é totalmente absorvido pelas plantas: cerca de 50% se dispersa no ambiente. Parte é levada pela chuva e infiltra-se no solo, alcançando lençóis freáticos, rios e lagos, onde pode provocar desequilíbrios ambientais. Já o fertilizante biológico, destaca a pesquisadora, resulta de milhões de anos de evolução natural. Certas bactérias conseguem captar o nitrogênio diretamente do ar e disponibilizá-lo às plantas de maneira precisa, sem recorrer a combustíveis fósseis nem contaminar solos e recursos hídricos.
Biofertilizantes e bioinsumos
Entre os principais focos de suas pesquisas estão os chamados inoculantes, também conhecidos como biofertilizantes. Compostos por bactérias benéficas, eles são aplicados às sementes e se associam às raízes, garantindo o fornecimento adequado de nutrientes. Dra. Mariângela afirma que foi possível desenvolver uma enzima capaz de capturar o nitrogênio atmosférico e entregá-lo diretamente às plantas. Algo que, no modelo químico, exigiria grande quantidade de petróleo.
Com o avanço dessas tecnologias, o Brasil tornou-se referência global no uso de bioinsumos agrícolas. Na cultura da soja, os produtores deixaram de desembolsar cerca de 25 bilhões de dólares em fertilizantes importados apenas na última safra. Do ponto de vista climático, os ganhos também são expressivos: cada quilo de nitrogênio químico produzido emite aproximadamente 10 quilos de CO₂. Ao optar pelos biológicos na soja, estima-se que 250 milhões de toneladas de CO₂ deixaram de ser lançadas na atmosfera em uma única safra.
AGROBALSAS 2026
A premiada cientista receberá uma homenagem prestada pela Plataforma Feminina Mulheres Agro Ouro, uma associação que conecta mulheres do agro com outros profissionais e juntas valorizam mulheres que fazem a diferença, com a entrega do troféu “Mulheres que Valem Ouro”. Outra homenagem será realizada pela Câmara dos Vereadores com o título de cidadã Balsense.
Se hoje Balsas, se destaca entre as cidades com maior PIB do agronegócio, deve-se ao cultivo da soja, como também aos cientistas brasileiros da Embrapa, com seus projetos em melhoramento genético e bioinsumos.
Para a FAPCEN o momento é de extrema grandeza, por entender, que devemos citar e sempre agradecer pessoas que fazem a diferença.