Policial militar condenado por tentativa de homicídio poderá recorrer solto

Crime ocorreu em posto de combustíveis no bairro Calhau, em São Luís

Da redação: Letícia Bogéa

O policial militar Uarlin Raiddan Araújo Rodrigues foi condenado a 10 anos, cinco meses e 10 dias de prisão por tentativa de homicídio contra duas pessoas em São Luís, mas recebeu autorização da Justiça para recorrer da sentença em liberdade. A decisão foi proferida pelo 2º Tribunal do Júri da capital maranhense na última sexta-feira (8).

Além da condenação criminal, a sentença também determinou a perda do cargo público na Polícia Militar do Maranhão. O regime inicial fixado para cumprimento da pena foi o fechado.

O julgamento ocorreu no Fórum Desembargador Sarney Costa e foi presidido pelo juiz substituto Guilherme Suminski Mendes. A acusação ficou sob responsabilidade do promotor Raimundo Benedito Barros Pinto, enquanto a defesa foi feita pelos advogados João Batista Ericeira Filho e José Carlos Sousa.

Durante a sessão, cinco testemunhas foram ouvidas, incluindo as duas vítimas atingidas durante a ocorrência registrada em fevereiro de 2023.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu durante a madrugada do dia 4 de fevereiro daquele ano, nas proximidades de uma loja de conveniência de um posto de combustíveis localizado na Avenida dos Holandeses, no bairro Calhau.

De acordo com os autos, Uarlin chegou ao local acompanhado da então namorada. No estabelecimento, o casal encontrou amigos da mulher, entre eles um ex-namorado dela. A acusação sustenta que o policial passou a agir motivado por ciúmes após a aproximação do grupo.

Ainda conforme o processo, o policial segurou a mulher pelo braço e tentou obrigá-la a deixar o local. Já dentro do carro, a mulher decidiu sair do veículo e afirmou que não retornaria para casa com ele. Segundo testemunhas, ela disse que pediria transporte por aplicativo ou carona.

A denúncia aponta que, a partir desse momento, o acusado começou a perseguir a mulher no estacionamento e teria ameaçado outra amiga dela com uma arma de fogo. O ex-namorado então tentou intervir na situação, momento em que foi atingido por um disparo no pé enquanto tentava fugir.

Em seguida, segundo o Ministério Público, o policial passou a atirar também contra a então namorada. Ela conseguiu se esconder, mas acabou atingida de raspão.

As investigações e os depoimentos reunidos no processo sustentaram a tese de que a tentativa de homicídio foi praticada por motivo fútil. Testemunhas afirmaram que o acusado chegou a simular que deixaria o local antes de retornar efetuando disparos em meio às pessoas que estavam na conveniência.

O Conselho de Sentença acolheu a tese da acusação de que os crimes foram motivados por ciúmes e reconheceu a tentativa de homicídio contra as duas vítimas. Apesar da condenação, a Justiça permitiu que o policial militar recorra da decisão em liberdade.

Publicidade