
Uma operação da Polícia Civil do Maranhão realizada na manhã desta quarta-feira (3) resultou na prisão de nove investigados suspeitos de participação em uma organização criminosa envolvida com o tráfico de drogas no estado. Entre os detidos estão policiais militares da ativa, um policial civil aposentado e outros suspeitos apontados como integrantes do grupo.
Batizada de Operação Astreia, a ação é coordenada pela Superintendência Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Senarc) e mobilizou equipes especializadas da segurança pública para o cumprimento de mandados de prisão temporária, busca e apreensão e medidas cautelares em São Luís.
Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados e determinou a suspensão do porte de armas de fogo dos alvos da investigação.
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa contava com a participação de agentes públicos e é investigada por atuação direta no comércio ilegal de drogas. Ao todo, a operação mira seis policiais militares, um policial civil aposentado e outras cinco pessoas suspeitas de integrar o esquema criminoso.
Entre os alvos identificados pelas autoridades estão o tenente Alex Brendon Moreira, o tenente-coronel Renan Leite do Nascimento, o cabo Wilson Nunes Filho, os soldados Illian Barros Lindoso e Daniel Martins Ferreira, além de Jorge Fernando Soeiros Mendes.
Investigação tem ligação com caso de sequestro e extorsão
Um dos nomes investigados na operação já havia sido preso anteriormente. O tenente Alex Brendon Moreira foi alvo de uma ação policial em janeiro deste ano por suspeita de envolvimento em um sequestro ocorrido em outubro de 2025, no bairro do Turu, em São Luís.
De acordo com as investigações, ele e um policial civil aposentado teriam utilizado a condição de agentes de segurança para abordar uma vítima em um lava a jato, apresentando um suposto mandado de prisão falso.
A vítima foi mantida sob restrição de liberdade enquanto os criminosos exigiam o pagamento de R$ 100 mil para sua liberação. A Polícia Civil apurou que familiares realizaram depósitos nas contas indicadas pelos suspeitos e, após a transferência dos valores, a vítima foi libertada.
O caso serviu como ponto de partida para novas investigações que acabaram revelando possíveis conexões entre os envolvidos e uma estrutura criminosa mais ampla.
Operação mobilizou forças especializadas
A Operação Astreia contou com apoio do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) e da Diretoria de Inteligência e Assuntos Estratégicos (DIAE) da Polícia Militar.
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa, bem como apurar a participação de cada investigado nos crimes sob análise.
Até o momento, as defesas dos citados não foram localizadas pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestações dos investigados ou de seus representantes legais.