SpaceX estreia na Nasdaq e chega à B3 avaliada em US$ 1,77 tri

SpaceX levanta US$ 75 bilhões, alcança valor de mercado de US$ 1,77 trilhão e passa a integrar o grupo das maiores empresas globais

Fonte: Da redação

A SpaceX inicia nesta sexta-feira (12) sua trajetória como companhia de capital aberto em uma das estreias mais aguardadas da história dos mercados financeiros. A empresa fundada por Elon Musk chega à Nasdaq após concluir um IPO de US$ 75 bilhões, operação que avaliou a companhia em aproximadamente US$ 1,77 trilhão e a colocou entre as maiores empresas listadas do mundo.

A oferta foi precificada em US$ 135 por ação, valor previamente indicado ao mercado e confirmado na véspera da estreia. O montante captado supera com ampla margem o recorde anterior entre as ofertas públicas iniciais e reforça o forte apetite dos investidores por empresas ligadas a tecnologia, inteligência artificial, conectividade e infraestrutura espacial.

A operação envolveu a venda de 555,56 milhões de ações e posiciona a SpaceX entre as maiores companhias negociadas nos Estados Unidos em valor de mercado. Mesmo tendo registrado prejuízo no ano passado, a empresa alcança uma avaliação superior à de diversas gigantes globais dos setores financeiro, farmacêutico e de tecnologia.

Grande parte da expectativa em torno da companhia está relacionada ao crescimento da Starlink, divisão responsável pelo fornecimento de internet via satélite. O negócio se tornou uma das principais fontes de receita do grupo e ampliou a presença da empresa em mercados estratégicos ao redor do mundo.

A precificação do IPO também chamou atenção por evitar o movimento comum observado em outras grandes ofertas recentes. Em diversos casos, empresas elevam sucessivamente a faixa de preço das ações antes da estreia para acompanhar a demanda dos investidores. Um exemplo recente foi o da Cerebras, companhia ligada à inteligência artificial que ampliou sua faixa indicativa antes de estrear e registrou forte valorização logo no primeiro dia de negociações. No caso da SpaceX, o preço final já havia sido antecipado ao mercado, reduzindo incertezas em torno da oferta.

Além da estreia em Wall Street, a companhia também passa a ser acessível aos investidores brasileiros. A B3 disponibiliza nesta sexta-feira o BDR da SpaceX, negociado sob o código SPCX34. O recibo permite investir na empresa diretamente pelo home broker das corretoras brasileiras, sem necessidade de abertura de conta no exterior ou realização de operações de câmbio.

A estrutura do BDR foi desenhada para facilitar o acesso do investidor local à companhia. O produto passa a integrar a lista de empresas globais disponíveis na bolsa brasileira, ampliando as alternativas de diversificação internacional para pessoas físicas.

Apesar do entusiasmo em torno da estreia, especialistas observam que megaofertas globais costumam atrair grandes volumes de recursos dos mercados internacionais. Segundo Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos, operações desse porte podem reduzir temporariamente o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Na avaliação do especialista, a retomada mais consistente do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira dependerá da redução das incertezas geopolíticas e da conclusão de grandes captações globais, como a da SpaceX. Com isso, investidores voltariam a direcionar recursos para ativos considerados descontados em mercados emergentes.

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