Governo inicia estudo para avaliar distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS

Governo aposta em produção nacional e avalia impacto das canetas na redução de cirurgias bariátricas

Fonte: Da redação

O governo federal deu mais um passo na discussão sobre a possível incorporação das chamadas canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que a pasta iniciará ainda este ano um estudo clínico com 250 pacientes para avaliar a eficácia e a viabilidade econômica desses medicamentos no tratamento da obesidade grave dentro da rede pública.

O projeto será realizado no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, e terá como foco pacientes com obesidade mórbida associada a doenças cardiovasculares que atualmente aguardam cirurgia bariátrica. A proposta é analisar se o uso dos medicamentos pode reduzir complicações relacionadas à obesidade, diminuir a necessidade de procedimentos cirúrgicos e gerar economia para o sistema de saúde a longo prazo.

A iniciativa ocorre em meio à ampliação da oferta desses medicamentos no Brasil. Em maio deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização da Ozivy, primeira semaglutida sintética produzida no país. Além dela, outras 17 empresas já protocolaram pedidos de registro junto à agência reguladora. Para o Ministério da Saúde, o aumento da concorrência tende a ampliar a oferta e pressionar os preços para baixo, tornando esses tratamentos mais acessíveis à população.

Padilha afirmou que a estratégia do governo passa não apenas pela avaliação clínica dos medicamentos, mas também pelo fortalecimento da produção nacional. Segundo ele, a quebra da patente da semaglutida abriu espaço para a entrada de novos fabricantes e poderá alterar significativamente a dinâmica de preços do mercado, atualmente dominado por produtos de alto custo e acesso restrito.

O ministro ressaltou, porém, que o governo não pretende tratar as canetas como uma solução isolada para a obesidade. A avaliação em curso busca entender de que forma elas podem integrar uma política pública mais ampla, envolvendo acompanhamento médico, orientação nutricional, atividade física e controle de doenças associadas. A preocupação da pasta é evitar que os medicamentos sejam vistos apenas como instrumentos de emagrecimento estético, desconsiderando sua utilização terapêutica.

O protocolo de pesquisa ainda precisa ser aprovado pelo comitê de ética do hospital responsável. Após essa etapa, os pacientes serão acompanhados durante vários meses, período que poderá chegar a um ano. Somente após a conclusão dos resultados será possível avaliar se existe justificativa técnica e econômica para a incorporação do tratamento ao SUS.

Além da discussão sobre o acesso aos medicamentos, o ministro alertou para o aumento das fraudes envolvendo canetas para emagrecimento no país. Segundo ele, ações da Anvisa e da Polícia Federal já identificaram lotes irregulares, produtos contrabandeados e medicamentos falsificados comercializados fora dos canais autorizados. Em alguns casos, as análises encontraram substâncias diferentes das declaradas ou até mesmo ausência do princípio ativo.

Padilha também destacou que esses medicamentos exigem acompanhamento médico e monitoramento constante. Embora tenham demonstrado resultados importantes no controle da obesidade e do diabetes tipo 2, eles podem provocar efeitos adversos e não substituem mudanças de hábitos e tratamentos complementares.

A entrada das canetas no SUS acontece em um momento de aumento da demanda por tratamentos para obesidade no Brasil. O crescimento dos índices da doença e das complicações associadas tem elevado os custos assistenciais do sistema público, levando especialistas e gestores a buscarem alternativas que possam reduzir internações, cirurgias e problemas cardiovasculares relacionados ao excesso de peso.

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