40% dos brasileiros associam pobreza à preguiça, aponta pesquisa

Levantamento do Datafolha indica crescimento da percepção de que pobreza está ligada à preguiça, enquanto cai a parcela que aponta falta de oportunidades

Fonte: Da redação

Uma pesquisa do Datafolha aponta uma mudança significativa na percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza. Segundo o levantamento, 40% dos entrevistados afirmam que boa parte da pobreza está relacionada à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar”, percentual que era de 22% em 2022 e representa o maior índice da série histórica da pesquisa.

Apesar do crescimento dessa percepção, a maioria dos brasileiros ainda atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais para ascensão social. Essa alternativa foi escolhida por 58% dos entrevistados, abaixo dos 76% registrados quatro anos antes. Outros 3% não souberam responder.

O levantamento mostra que a mudança de opinião ocorreu em diferentes faixas de renda. Entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, os percentuais são praticamente idênticos aos da média nacional. Já entre aqueles com renda de dois a cinco salários mínimos, 43% relacionam a pobreza à preguiça, enquanto 55% apontam a falta de oportunidades.

Na faixa de renda superior a dez salários mínimos, a percepção predominante continua sendo a de que a pobreza está associada à desigualdade de oportunidades. Nesse grupo, 63% dos entrevistados escolheram essa alternativa.

A pesquisa também identificou diferenças conforme a ocupação dos entrevistados. Entre empresários, 56% afirmaram que a pobreza está ligada à falta de disposição para trabalhar, o maior percentual entre as categorias pesquisadas. Entre os funcionários públicos, essa percepção foi registrada por 28% dos entrevistados, o menor índice do levantamento.

Os resultados também variam conforme a intenção de voto para a eleição presidencial. Entre os eleitores que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, 28% associaram a pobreza à preguiça, enquanto 70% apontaram a falta de oportunidades. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 52% atribuíram a pobreza à falta de vontade de trabalhar e 44% à desigualdade de oportunidades.

A idade dos entrevistados também influenciou as respostas. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 22% associaram a pobreza à preguiça, enquanto 74% apontaram a falta de oportunidades. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, os percentuais foram de 49% e 48%, respectivamente, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

A questão integra a matriz ideológica elaborada pelo Datafolha, um conjunto de perguntas voltadas a identificar opiniões da população sobre temas relacionados a comportamento e valores sociais. O bloco inclui assuntos como criminalidade, porte de armas, imigração, drogas, pena de morte, sindicatos, religião e responsabilização de adolescentes por crimes.

A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho de 2026 com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

 

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