
O Ministério Público do Distrito Federal ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze. A medida, que ainda será analisada pela Justiça, pede indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 120 milhões e aponta supostas irregularidades na divulgação e operação da empresa.
Segundo o MP, as investigações reuniram indícios de retenção sistemática de valores depositados por usuários, bloqueio de contas e imposição de metas de apostas consideradas de difícil cumprimento. A apuração teve início após denúncias de consumidores e foi reforçada por um relatório técnico que contabiliza mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma.
Na ação, o órgão sustenta que a Blaze utilizou campanhas publicitárias com influenciadores digitais para incentivar apostas por meio de promessas de ganhos rápidos e renda extra, direcionando a publicidade, principalmente, a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. O MP também afirma que, à época do início das investigações, em 2023, a empresa ainda operava sem autorização federal.
Entre os pedidos apresentados à Justiça estão a retirada de anúncios que sugiram lucro garantido ou renda fixa com apostas, além da realização de campanhas educativas sobre os riscos do jogo compulsivo, do superendividamento e dos direitos dos consumidores.
O documento também cita um inquérito da Polícia Civil de Mato Grosso, segundo o qual a empresa recorria a celebridades e influenciadores para ampliar o número de usuários da plataforma. Durante a investigação, servidores do MP se cadastraram no site para monitorar as estratégias de marketing e identificaram o envio frequente de mensagens promocionais com linguagem persuasiva para estimular novas apostas.
Em nota, a Blaze informou que ainda não foi formalmente intimada da ação e afirmou que atua em conformidade com a legislação e as regulamentações vigentes no Brasil, destacando que prestará os esclarecimentos necessários quando for notificada. Até o momento, a defesa de Virginia Fonseca não havia se pronunciado sobre o caso.