
Quinze trabalhadores naturais do Maranhão foram retirados de um alojamento sem condições básicas no município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará. Os homens trabalhavam na construção civil e estavam havia cerca de 20 dias sem receber salários.
A situação foi denunciada por um dos operários ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF). Representantes da entidade foram ao local na terça-feira (21) e encontraram o grupo em uma casa sem água encanada, fogão, móveis ou alimentação adequada.
Os maranhenses haviam viajado ao Ceará após receberem uma proposta de trabalho que incluía remuneração e moradia. Segundo o presidente do sindicato, Nestor Bezerra, as condições encontradas eram muito diferentes das prometidas durante a contratação.
Os trabalhadores dormiam em redes espalhadas pelos cômodos e mantinham suas mochilas no chão. A falta de acesso à internet e a pequena quantidade de celulares também dificultavam a comunicação com os familiares no Maranhão.
Operários teriam sido ameaçados
De acordo com o STICCRMF, nove integrantes do grupo relataram ter recebido ameaças atribuídas ao encarregado da obra. Conforme os depoimentos, o responsável teria mencionado a possibilidade de acionar uma facção criminosa contra os trabalhadores.
A alimentação também era utilizada como forma de pressão. O sindicato informou que as refeições seriam fornecidas apenas aos funcionários que comparecessem ao canteiro de obras. Na terça-feira, o grupo teria permanecido sem comer.
Os homens, com idade média de 30 anos, prestavam serviços em um empreendimento de Maranguape. A empresa responsável pela construção teria contratado um empreiteiro para administrar a execução dos trabalhos e acomodar os operários.
Caso é investigado
Após a retirada do alojamento, os trabalhadores foram levados à Delegacia de Polícia Civil de Maranguape, onde registraram a ocorrência. A Polícia Civil do Ceará abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias e identificar possíveis responsabilidades.
O grupo foi encaminhado para um local seguro. Os operários aguardam o pagamento dos valores trabalhistas pendentes e a disponibilização de transporte para retornar ao Maranhão.
Segundo o sindicato, a empresa relacionada ao empreendimento informou que providenciaria o pagamento das verbas rescisórias e o retorno dos trabalhadores aos seus municípios de origem.
Segundo episódio divulgado em poucos dias
O caso foi conhecido menos de uma semana depois do resgate de outros 35 trabalhadores, a maioria maranhense, em uma fazenda de Santa Filomena, no sul do Piauí.
Nesse episódio, a Auditoria-Fiscal do Trabalho classificou as condições encontradas como análogas à escravidão. A operação contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.
Na propriedade rural, os fiscais encontraram alojamentos sem ventilação adequada, quantidade insuficiente de camas e colchões colocados diretamente no chão. Também foram localizadas rãs e material com aparência de fezes em um recipiente usado para armazenar água destinada ao consumo dos trabalhadores.