
Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Chico Trader”, declarou à Polícia Civil do Piauí que perdeu em operações na Bolsa de Valores os recursos recebidos de clientes da Xtreme Trader. O empresário prestou novo depoimento após se apresentar às autoridades nessa quarta-feira (22), em Teresina.
O investigado estava no Paraguai e era procurado internacionalmente desde 2025. Acompanhado de advogados, ele compareceu à sede do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), onde foi cumprido o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
Ao ser interrogado pelo delegado Luciano Alcântara, Chico afirmou que não dispõe dos valores necessários para ressarcir os investidores. Ele também disse que parte do dinheiro captado pela empresa foi utilizada para pagar faturas e parcelas de cartões de crédito de alguns clientes.
A versão apresentada coincide com elementos encontrados durante a investigação. Conforme a polícia, o bloqueio das contas bancárias vinculadas ao empresário e à Xtreme revelou saldos praticamente zerados. Uma das contas da empresa tinha apenas centavos.
As apurações identificaram movimentações superiores a R$ 600 milhões entre 2023 e 2025. O montante, entretanto, não deve ser interpretado automaticamente como o prejuízo causado, já que parte dos recursos circulou repetidas vezes entre as contas analisadas.
Até o momento, mais de 300 pessoas foram apontadas como vítimas no Piauí e no Maranhão. Os clientes eram atraídos pela promessa de ganhos mensais de até 10% e realizavam aplicações que variavam de R$ 20 mil a R$ 5 milhões.
Segundo a investigação, os primeiros rendimentos eram pagos regularmente, o que ajudava a conquistar novos investidores. A ostentação exibida pelo empresário nas redes sociais também teria contribuído para transmitir uma imagem de sucesso e segurança financeira.
A Polícia Civil sustenta que a Xtreme captava recursos sem cumprir as exigências da Comissão de Valores Mobiliários. Os depósitos eram feitos diretamente nas contas da empresa, sem a participação de instituições autorizadas, dificultando a separação entre o dinheiro dos clientes e o patrimônio dos investigados.
O caso deu origem à Operação Extrema Confiança, deflagrada em setembro de 2025. A ação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Teresina e Timon, além de resultar nas prisões de Elison Araújo Abreu e Igor de Sousa Silva.
Chico declarou que deixou o Brasil por medo de represálias após o colapso da empresa. Antes de seguir para o Paraguai, teria viajado a São Paulo para tentar levantar recursos e retomar as operações. Ele também admitiu ter trabalhado como trader no país vizinho, mas alegou que utilizava dinheiro próprio.
A companheira do empresário, Kayra Cardoso Guimarães, permanece foragida. Ela também possui mandado de prisão e teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. O rastreamento financeiro prossegue enquanto a Polícia Civil prepara a conclusão do inquérito.
