O mercado de trabalho brasileiro voltou a apresentar melhora no trimestre encerrado em junho e levou a taxa de desemprego ao menor nível já registrado para o período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desocupação recuou para 5,4%, abaixo dos 5,6% observados no trimestre encerrado em maio e dos 5,8% registrados no mesmo intervalo de 2025.
O resultado reforça o cenário de um mercado de trabalho ainda aquecido, mesmo em um ambiente de juros elevados e de desaceleração gradual da atividade econômica. A continuidade da geração de empregos tem sustentado o consumo das famílias e contribuído para a resiliência da economia brasileira, embora também permaneça no radar do Banco Central por seus efeitos sobre a inflação de serviços.
A pesquisa mostra que o emprego formal permaneceu em nível elevado. O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada somou 39,4 milhões, mantendo estabilidade tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período do ano passado. O dado indica que, apesar do ritmo mais moderado de criação de vagas, o mercado formal continua preservando empregos.
Por outro lado, o contingente de trabalhadores sem carteira assinada voltou a crescer. O total de empregados informais no setor privado alcançou 13,6 milhões de pessoas, alta de 2,2% em relação ao trimestre encerrado em maio. O avanço sugere que parte da expansão recente da ocupação ocorreu por meio de vínculos mais flexíveis e com menor proteção trabalhista.
A renda do trabalhador também permaneceu em trajetória positiva. O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.738, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, mas com crescimento de 2,8% na comparação anual. O avanço do rendimento, descontada a inflação, amplia o poder de compra das famílias e tende a favorecer o consumo interno.
A combinação entre desemprego historicamente baixo e renda em alta reforça a percepção de um mercado de trabalho ainda sólido. Ao mesmo tempo, economistas acompanham a evolução desses indicadores para avaliar seus impactos sobre a inflação, especialmente no setor de serviços, que costuma responder de forma mais intensa à escassez de mão de obra e ao aumento dos salários.
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que, até o momento, a atividade econômica continua absorvendo trabalhadores, mesmo em um contexto de política monetária restritiva. O comportamento do mercado de trabalho será um dos principais fatores observados nos próximos meses para avaliar o ritmo da economia e as perspectivas para a trajetória dos juros.