
Caxias deverá ganhar uma nova estrutura para concentrar e transportar a produção agrícola do leste maranhense. O Terminal Intermodal de Grãos e Fertilizantes Gonçalves Dias (TIGD), chamado de Porto Seco de Caxias, teve sua pedra fundamental lançada no sábado (1º).
O complexo privado pertence à Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) e será construído próximo ao Distrito Industrial do município. A proposta é reunir, em um mesmo ponto, cargas transportadas por caminhões e transferi-las para a ferrovia com destino ao Porto do Itaqui, em São Luís.
A estrutura deverá movimentar soja, milho, sorgo, fertilizantes, combustíveis e produtos diversos. Também existe a previsão de receber contêineres em uma etapa futura.
Investimento inclui recuperação da ferrovia
O aporte específico anunciado inicialmente para a instalação do terminal foi de aproximadamente R$ 300 milhões. Ao considerar a modernização do trecho ferroviário entre Caxias e São Luís, entretanto, o investimento global informado pelos responsáveis pelo projeto chega a R$ 1,3 bilhão.
A FTL pretende adquirir locomotivas e vagões e substituir trilhos, dormentes e outros componentes da linha. Conforme o presidente da empresa, Ismael Trinks, a dimensão da intervenção representará praticamente a construção de uma nova estrutura ferroviária no trecho.
A intenção é utilizar a ferrovia nos dois sentidos. A produção agrícola seguirá de Caxias para o Porto do Itaqui, enquanto fertilizantes e demais insumos importados poderão ser transportados da capital para o interior do estado.
Movimentação pode chegar a 400 caminhões por dia
Depois de entrar em funcionamento, o Porto Seco terá capacidade estimada para processar cerca de 1 milhão de toneladas de cargas anualmente. A operação poderá gerar um fluxo diário de aproximadamente 400 caminhões nas proximidades do terminal.
Para conectar o empreendimento à malha rodoviária, o Governo do Maranhão anunciou a construção de uma via com sete quilômetros de extensão até o entroncamento da BR-316. Os valores e os prazos dessa obra ainda não foram detalhados.
O acesso será necessário para facilitar a chegada dos produtos oriundos de municípios da região e organizar o deslocamento dos veículos de carga até o complexo.
“O empresariado se sente seguro ao vir para o Maranhão, porque a gestão estadual oferece atualmente a segurança jurídica e política necessárias para a implantação de grandes empreendimentos, e por isso o estado tem conseguido atrair novas empresas, como o Terminal Intermodal em Caxias, por exemplo”, frisou o governador Carlos Brandão.
Obras devem terminar em 2027
A área destinada ao terminal já passa por serviços de terraplanagem. O cronograma divulgado prevê a conclusão das obras até abril de 2027, com a expectativa de que parte da safra daquele ano seja transportada pelo novo corredor ferroviário.
A entrada em operação dependerá da conclusão do terminal, da recuperação da linha férrea e da implantação do acesso à BR-316, além do cumprimento das etapas técnicas e administrativas necessárias.
O governo estadual também informou que pretende articular cursos com instituições do Sistema S para qualificar trabalhadores da região. As áreas de formação e a quantidade de vagas ainda serão definidas.
Com o novo complexo, Caxias poderá assumir a função de centro regional de armazenamento e distribuição. O projeto busca diminuir o trajeto feito exclusivamente por caminhões, ampliar o uso da ferrovia e criar uma ligação mais direta entre a produção do leste maranhense e o Porto do Itaqui.