Maranhense de Açailândia morre em combate na Ucrânia, diz família

Maranhense de 24 anos teria morrido na linha de frente da guerra entre Ucrânia e Rússia, segundo relato da mãe

Fonte: Da redação

A família do maranhense Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, vive dias de angústia enquanto aguarda uma confirmação oficial sobre a morte do jovem, que atuava como voluntário nas forças ucranianas na guerra contra a Rússia. Natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão, Mateus teria morrido durante um combate na sexta-feira (31 de julho), segundo informações repassadas por brasileiros que lutavam ao lado dele. Até a publicação desta reportagem, o Ministério das Relações Exteriores ainda não havia confirmado oficialmente o falecimento.

A notícia chegou à família de forma informal. Conforme relatou a mãe do jovem, Diana Silva, companheiros de batalha de Mateus conseguiram fazer contato apenas dias após o confronto. Antes disso, ela já havia percebido sinais que aumentaram sua preocupação, entre eles a interrupção repentina da comunicação com o filho e o bloqueio inesperado de sua conta no WhatsApp, justamente o número que havia sido informado por Mateus como principal contato familiar.

Segundo Diana, o filho embarcou para a Ucrânia em 26 de março deste ano, motivado pelo desejo de integrar voluntariamente as forças do país. Nos primeiros meses, passou por treinamento militar e adaptação antes de ser enviado para uma área considerada de alto risco. A mãe afirmou que acreditava que o jovem ainda estava em fase de experiência e que retornaria ao Brasil assim que encerrasse o contrato firmado com as forças ucranianas.

Ela contou que, durante as conversas mantidas antes da interrupção do contato, Mateus evitava relatar detalhes sobre a guerra. Em vez disso, preferia falar sobre a família, os planos para o futuro e a expectativa de voltar para casa. Para Diana, o filho procurava poupá-la das dificuldades enfrentadas no conflito.

A comunicação foi interrompida quando Mateus seguiu para a linha de frente. Conforme a família, os militares recolheram os aparelhos celulares dos combatentes antes do deslocamento para a área de operações, impossibilitando qualquer contato. Desde então, a mãe passou a viver dias de expectativa e apreensão.

Segundo as informações recebidas pelos familiares, Mateus morreu durante um confronto em uma região fortemente atingida por bombardeios. O corpo teria permanecido em uma área de mata sob domínio das forças adversárias, dificultando o resgate. De acordo com os relatos enviados por colegas do jovem, a retirada dependeria de uma operação realizada pelos próprios companheiros de batalha, que precisariam transportar o corpo por dezenas de quilômetros até um ponto seguro, onde poderia ser recolhido por equipes militares.

A demora na recuperação do corpo também explicaria, segundo a família, a ausência de uma confirmação oficial por parte das autoridades ucranianas. Até que o cadáver seja localizado e encaminhado à base militar, não seria possível emitir a documentação necessária para formalizar o óbito e iniciar os procedimentos legais.

A confirmação informal da morte ocorreu na manhã de domingo (2), quando um brasileiro que integrava a mesma unidade militar conseguiu entrar em contato com Vitória, irmã de Mateus. Como o telefone da mãe permanecia inacessível, o colega utilizou o outro contato deixado pelo jovem antes de seguir para o combate. Diana contou que, naquele momento, já temia pelo pior, especialmente após perceber publicações feitas nas redes sociais por amigos do filho, que compartilhavam fotografias dele em tom de despedida.

Enquanto aguarda informações oficiais, a família tenta reunir orientações jurídicas e diplomáticas para definir os próximos passos. O desejo inicial de Diana era viajar até a Ucrânia para acompanhar o processo de identificação do corpo e providenciar o traslado para o Maranhão. No entanto, ela afirma ter sido informada de que os custos desse procedimento podem tornar o retorno inviável financeiramente.

Uma das possibilidades discutidas seria o sepultamento do jovem em território ucraniano, em um cemitério destinado a militares mortos durante a guerra. Qualquer definição, porém, depende da recuperação do corpo e da confirmação oficial do falecimento pelas autoridades responsáveis.

Em meio ao luto, Diana fez um apelo a outros brasileiros que cogitam viajar para participar do conflito armado. Segundo ela, nenhuma motivação compensa o sofrimento enfrentado pelas famílias que permanecem à espera de notícias. A mãe descreveu Mateus como um jovem dedicado, corajoso e muito ligado aos familiares, ressaltando que ele abriu mão dos próprios planos para lutar em outro país.

Enquanto não recebe um posicionamento oficial, a família continua acompanhando as informações enviadas pelos companheiros de batalha e espera que o corpo seja localizado para que os procedimentos legais possam ser iniciados. Até o momento, o Itamaraty não confirmou oficialmente a morte do maranhense.

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