
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Maranhão abriu espaço para que Orleans Brandão (MDB) apresentasse sua estratégia para a campanha: defender os resultados da atual gestão estadual e, ao mesmo tempo, associar a continuidade do grupo político a uma nova etapa de investimentos. Durante o encontro promovido pela Band Maranhão neste domingo (9), o candidato concentrou suas intervenções em áreas como saúde, educação, infraestrutura, geração de emprego e equilíbrio das contas públicas.
Ao longo dos confrontos, Orleans buscou sustentar suas respostas com números e programas do governo Carlos Brandão. Em diferentes momentos, utilizou indicadores fiscais, investimentos em rodovias, ações educacionais e expansão de serviços públicos para rebater críticas dos adversários e defender que o Maranhão dispõe atualmente de maior capacidade para executar novos projetos.
A situação do Hospital da Criança, em São Luís, esteve entre os temas de maior repercussão durante sua participação. Orleans escolheu Roberto Rocha (PRTB) para discutir o assunto e classificou como grave o cenário enfrentado pela unidade. Ao questionar o adversário sobre quais medidas adotaria caso estivesse à frente da gestão do hospital, levou para o debate uma das principais crises recentes da saúde pública na capital.
Roberto respondeu criticando mudanças realizadas na administração e nas equipes da unidade e defendeu que as causas dos problemas sejam investigadas antes de qualquer solução definitiva. Orleans, por sua vez, utilizou o episódio para reforçar sua proposta de ampliar a regionalização da saúde estadual, com novos hospitais e serviços especializados distribuídos pelo interior, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para São Luís.
A geração de emprego e a atração de investimentos também ocuparam espaço relevante nas intervenções do candidato. Orleans defendeu a expansão da atividade industrial como uma das principais estratégias para elevar a renda dos maranhenses e citou projetos em andamento, entre eles a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Bacabeira e novos investimentos privados anunciados para diferentes regiões do estado.
O candidato relacionou essa agenda econômica à situação fiscal do Maranhão. Ao ser questionado sobre ajuste das contas públicas, afirmou que a atual administração melhorou os indicadores de capacidade de pagamento e criou condições para aumentar os investimentos. Segundo Orleans, o estado saiu de posições inferiores nos rankings de solidez fiscal e passou a apresentar melhores avaliações de capacidade financeira.
“Para a gente falar de reajuste fiscal, agora é possível, porque o governo Brandão ajeitou a casa. Era o 23º em solidez fiscal, hoje somos o 2º. A nota de capacidade de pagamento era letra C, agora somos letra A”, declarou durante o debate.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a melhoria das contas públicas permite combinar equilíbrio fiscal com investimentos em infraestrutura, saúde, educação e políticas sociais. Orleans também citou projetos como a implantação de uma biorrefinaria em Balsas e a própria ZPE de Bacabeira como exemplos da capacidade de atração de empreendimentos privados.
A educação colocou Orleans diretamente frente a frente com Felipe Camarão (PT), ex-secretário estadual da área. Questionado sobre os resultados da rede pública, o candidato do MDB comparou os atuais indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) com os registrados durante a passagem de Camarão pela Secretaria de Educação.
“Primeiro que o Ideb é maior do que quando você era secretário. Nosso Ideb é de 3,8 e na época que você era secretário era de 3,7”, afirmou.
Orleans também destacou programas implantados pela atual gestão, como distribuição de tablets, alimentação escolar, transporte e reformas de unidades de ensino. Entre as propostas apresentadas para um eventual governo, defendeu ampliar a participação das escolas de tempo integral na rede estadual e expandir modelos de ensino que, segundo ele, apresentaram resultados positivos.
A infraestrutura foi outro eixo utilizado pelo candidato para sustentar a defesa do atual governo. Questionado por Roberto Rocha sobre logística e transporte, Orleans citou a recuperação e implantação de rodovias em diversas regiões do Maranhão e afirmou que mais de 5 mil quilômetros da malha viária receberam intervenções durante a gestão Carlos Brandão.
O candidato também mencionou obras de mobilidade na Região Metropolitana de São Luís e projetos realizados em parceria com o governo federal. Para Orleans, ampliar a infraestrutura rodoviária e urbana é condição necessária para atrair empresas, melhorar o escoamento da produção e reduzir os custos de deslocamento dentro do estado.
A participação no debate reforçou a posição de Orleans como candidato da continuidade administrativa. Em praticamente todos os temas, ele procurou vincular propostas futuras a programas ou investimentos já iniciados pela atual gestão, argumentando que a melhora dos indicadores fiscais e a ampliação das obras públicas criaram condições para uma nova fase de desenvolvimento.
O primeiro debate da disputa estadual reuniu ainda André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT), Saulo Arcângeli (PSTU) e Roberto Rocha (PRTB). Eduardo Braide (PSD) e Reginaldo Lima (PCB), apesar de convidados, não participaram.
Braide afirmou pelas redes sociais que cumpria agenda em municípios do interior e reconheceu a importância dos debates eleitorais. O candidato do PSD também informou que pretende participar do encontro promovido pela TV Globo durante a campanha.