
A Polícia Civil investiga uma agressão sofrida pela influenciadora Léa Reis na madrugada deste domingo (9), dentro de um estabelecimento noturno em Balsas, no sul do Maranhão. Mulher trans, ela afirma que foi atacada sem provocação e aponta possível motivação transfóbica.
Depois do episódio, Léa publicou vídeos nos quais aparece emocionada e com ferimentos na boca e nas mãos. Ela contou que recebeu dois socos no rosto e precisou ser auxiliada por pessoas que estavam no local.
A influenciadora havia viajado para Balsas para participar do casamento de uma amiga. Após a cerimônia, saiu acompanhada para conhecer a cidade e foi ao Agrobar, onde ocorreu a confusão.
Segundo Léa, a mulher responsável pelos golpes era desconhecida e não houve discussão anterior. Ela afirmou ainda que ficou com medo após o ataque, mas pretende adotar as medidas legais para buscar a responsabilização da envolvida.
Imagens foram analisadas pela polícia
A delegada Ana Marisa informou que as gravações do estabelecimento passaram por uma análise detalhada. Conforme a autoridade policial, as imagens não mostram provocação, toque ou aproximação da influenciadora antes da agressão.
“Não houve nenhum motivo aparente. Houve apenas uma agressão dentro de uma festa, e a vítima foi uma mulher trans”, declarou.
A delegada também afirmou que versões divulgadas nas redes sociais sobre uma suposta conduta anterior de Léa não correspondem ao que aparece nos registros examinados pela investigação.
Suspeita nega motivação preconceituosa
A mulher apontada como autora dos golpes foi identificada como Ecilla Ahuad Miranda. Em nota assinada com o advogado José Rodrigues Oliveira Neto, ela apresentou uma versão diferente para o episódio.
Ecilla alegou que estava acompanhada do marido durante uma comemoração e que o casal teria sido vítima de importunação sexual. Segundo a nota, a reação aconteceu após a suposta violação à intimidade dos dois.
A defesa negou que a conduta tenha sido motivada por preconceito ou discriminação e afirmou que as publicações feitas na internet mostram apenas parte do ocorrido. Também informou que apresentará provas às autoridades no momento considerado adequado.
A versão é contestada pela delegada Ana Marisa. Segundo ela, a análise realizada segundo a segundo não revelou toque, gesto ou aproximação que confirme a alegação de importunação apresentada na nota.
Comentários também podem ser investigados
A Polícia Civil alertou que publicações e comentários transfóbicos feitos após a repercussão do caso podem gerar responsabilização criminal. A orientação é evitar a divulgação de acusações não comprovadas ou mensagens discriminatórias.
Léa, que reúne quase 300 mil seguidores no Instagram, recebeu manifestações de apoio nas redes sociais. A cantora Zélia Duncan esteve entre as pessoas que prestaram solidariedade à influenciadora e destacaram a importância de preservar provas e testemunhos.
O Agrobar ainda não havia divulgado um posicionamento até a publicação. A investigação prossegue para esclarecer a dinâmica do episódio e determinar as responsabilidades das pessoas envolvidas.