
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) pediu que o Senado intervenha para apurar a origem do vazamento de informações retiradas de seu celular funcional, apreendido pela Polícia Federal no curso das investigações relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Investigado desde o ano passado na Operação Sem Desconto, o parlamentar encaminhou um ofício ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, solicitando providências institucionais sobre a divulgação de materiais que estavam sob sigilo.
A iniciativa ocorre depois que uma fotografia encontrada no aparelho passou a circular publicamente. A imagem, divulgada pela revista “piauí”, mostra Weverton em uma piscina ao lado de outros políticos no rancho do advogado Willer Tomaz. O registro seria de abril de 2023 e inclui nomes como Arthur Lira, Elmar Nascimento, Alexandre Ramagem, Paulo Azi e Juscelino Filho.
No documento encaminhado à Mesa do Senado, Weverton sustenta que a divulgação de fotografias e mensagens pessoais ultrapassa os limites da investigação e acaba expondo parlamentares que não são investigados no caso. Para o senador, a circulação seletiva desse conteúdo pode representar violação da intimidade, do sigilo dos autos e da presunção de inocência.
Weverton pede que a Advocacia do Senado seja acionada para levar o caso ao ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar também quer que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Corregedoria da Polícia Federal sejam provocadas para identificar a origem dos vazamentos e verificar eventual responsabilidade pela divulgação de informações protegidas por sigilo.
Entre as medidas solicitadas está ainda a preservação de provas que possam permitir a identificação de quem teve acesso e eventualmente repassou o conteúdo extraído do aparelho. O senador defende também o envio de um requerimento ao Ministério da Justiça para que a pasta informe quais providências estão sendo adotadas para impedir vazamentos de informações obtidas em investigações policiais.
O pedido inclui a comunicação do episódio à comissão competente e à Ouvidoria do Senado. A argumentação apresentada por Weverton é de que o caso não atingiria apenas sua esfera pessoal, mas também as prerrogativas de outros integrantes do Congresso que aparecem em materiais retirados do celular sem que necessariamente tenham relação com os fatos investigados.
A reação acontece enquanto a Polícia Federal aprofunda as apurações envolvendo o senador maranhense. Weverton é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades relacionadas aos descontos associativos realizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Na fase mais recente da investigação, a PF passou a concentrar parte das diligências na suspeita de existência de uma estrutura destinada à movimentação e possível ocultação de recursos. Os investigadores analisam empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis que, segundo a hipótese investigativa, poderiam ter sido utilizados para movimentar dinheiro relacionado ao esquema.
O conteúdo extraído do celular de Weverton tornou-se uma das fontes utilizadas pela investigação para aprofundar essas linhas de apuração. A divulgação pública de partes desse material, entretanto, passou a ser contestada pelo senador, que agora tenta levar a discussão sobre o sigilo da investigação para o âmbito institucional do Senado.
O advogado Willer Tomaz, proprietário do local onde a fotografia foi registrada, também criticou a divulgação da imagem. Em nota, afirmou que o registro foi feito durante um evento particular em sua propriedade e não teria relação com sua atuação profissional nem com os fatos investigados.
Tomaz declarou ainda que não é investigado por fraudes previdenciárias no inquérito que apura os desvios relacionados ao INSS. O advogado classificou a divulgação da fotografia retirada do celular do senador como indevida.
Com o ofício, Weverton busca agora uma atuação formal da Mesa do Senado para que diferentes órgãos apurem como informações protegidas da investigação chegaram ao público. Paralelamente, a Polícia Federal continua as investigações sobre o parlamentar e sobre a movimentação financeira e patrimonial identificada na Operação Sem Desconto.