O governo dos Estados Unidos voltou a discutir possíveis sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após decisões recentes do magistrado relacionadas a investigações com desdobramentos no Maranhão. A informação foi publicada pelo jornal britânico Financial Times, que atribui o movimento a integrantes da administração de Donald Trump ouvidos sob reserva.
Segundo a publicação, o episódio que reacendeu o debate em Washington envolve medidas autorizadas por Moraes contra o jornalista Luís Pablo e o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim. Autoridades americanas citadas pelo jornal interpretam as ações como uma possível violação à liberdade de imprensa.
No caso do jornalista, as discussões nos Estados Unidos estariam relacionadas a operações decorrentes de reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e por familiares no Maranhão.
Outro episódio citado envolve Raimundo Cutrim. Ex-deputado estadual e ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados por Moraes ao longo da semana.
É nesse contexto que integrantes do governo Trump, de acordo com o Financial Times, passaram a considerar novamente a possibilidade de recorrer à Lei Magnitsky contra Moraes.
O ministro já havia sido submetido a sanções americanas em 2025. Familiares e o escritório de advocacia administrado por sua esposa também foram atingidos por medidas econômicas dos Estados Unidos em meio às tensões relacionadas à atuação de Moraes na investigação da trama golpista que terminou com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Posteriormente, as restrições foram retiradas durante um período de aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Financial Times, porém, a relação entre os dois governos voltou a enfrentar desgaste, enquanto as decisões recentes do ministro reacenderam as discussões dentro da administração americana.
Uma das possibilidades avaliadas seria a reinclusão de Moraes no regime de sanções da Lei Magnitsky. Caso uma medida desse tipo seja efetivamente adotada, poderá envolver bloqueio de eventuais bens e ativos sob jurisdição americana e restrições a determinadas transações financeiras.