As universidades federais deixariam de ser administradas pelo Ministério da Educação (MEC) e passariam para a estrutura do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A mudança está prevista no programa apresentado pelo candidato à Presidência para as eleições de 2026.
A ideia é concentrar ciência e ensino superior em uma mesma pasta e permitir que o MEC volte sua atuação principalmente para a educação básica. A reorganização aparece no capítulo “Preparar para o Brasil que existe”.
“No ensino superior, vamos transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, unificando ciência e ensino superior sob o mesmo teto”, afirma o programa.
Eduardo Cury (PL-SP), que participou da elaboração do documento ao lado do coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a intenção é concentrar o MEC no enfrentamento dos problemas da educação básica.
Segundo Cury, o objetivo seria “resolver o analfabetismo funcional, legado do PT, e a tragédia brasileira na área”. Ele citou como argumento o desempenho do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), no qual o país aparece entre as 20 últimas colocações.
O programa também prevê mudanças na política de pesquisa. Flávio defende que as agências de fomento priorizem projetos com “impacto produtivo” e aproximem a produção científica das demandas das empresas.
A transferência das universidades para a área de Ciência e Tecnologia já havia sido discutida durante o governo Jair Bolsonaro. A gestão do ex-presidente foi marcada por embates com as instituições federais de ensino superior, incluindo bloqueios de recursos e divergências na escolha de reitores.
Bolsonaro também rompeu, em diferentes ocasiões, com a tradição de nomear para o comando das universidades o candidato que ocupava o primeiro lugar da lista tríplice encaminhada pela comunidade acadêmica.