Bancários de todo o país aprovaram uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira (20), após rejeitarem os termos apresentados pelos bancos na Campanha Nacional Unificada 2026. A mobilização foi decidida em assembleias realizadas na segunda-feira (17), em meio ao impasse nas negociações sobre reajuste salarial, benefícios e condições de trabalho.
A última rodada não apresentou um índice para o reajuste dos salários e colocou em discussão o congelamento do piso de ingresso para novos bancários, além da possibilidade de percentuais diferentes para três faixas salariais, sem detalhamento dos valores. Durante a reunião de quinta-feira (13), que se estendeu por quase oito horas, também chegou a ser discutida a redução dos vales-refeição e alimentação em cidades do interior, mas os bancos recuaram desse ponto.
A rejeição foi elevada nas assembleias divulgadas pelas entidades sindicais. Na Paraíba, 96,48% dos participantes recusaram os termos apresentados e 95,02% votaram pela paralisação. Em São Paulo, a rejeição alcançou 97,66%, enquanto 89,34% apoiaram a suspensão das atividades. No Rio de Janeiro, dos 1.808 votantes, 1.760 foram contrários à proposta e 1.709 favoráveis à mobilização.
Entre as principais reivindicações estão aumento real dos salários, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), recomposição dos vales-alimentação e refeição, manutenção dos empregos, novas contratações e medidas contra metas consideradas abusivas e assédio algorítmico. A categoria também reivindica um piso salarial para profissionais de tecnologia da informação e a manutenção da mesa única de negociação, com cobertura da Convenção Coletiva de Trabalho.
Os representantes dos trabalhadores relacionam as reivindicações ao desempenho financeiro do setor. Segundo dados apresentados pela Contraf, os bancos tiveram lucro superior a R$ 124 bilhões em 2025 e patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão. A entidade afirma ainda que o vale-alimentação acumulou perda real de 13% entre 2019 e 2025. Para recuperar o poder de compra daquele período, o benefício mensal precisaria passar de R$ 924,47 para R$ 1.293,73.
A redução da estrutura de atendimento também entrou na campanha. Conforme os números apresentados pelo Comando Nacional, 88 mil postos de trabalho foram eliminados e 9,5 mil agências fecharam entre 2015 e 2025, enquanto os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com prestadores terceirizados. Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% dos bancários também teriam utilizado medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes.
Para a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, o resultado das assembleias demonstra a insatisfação da categoria. “Também reforça que a categoria não aceitará propostas sem avanços concretos em temas essenciais, como reajuste salarial, valorização da PLR e recomposição dos vales-refeição e alimentação”, afirmou.
As entidades também defendem a manutenção do atendimento presencial diante do fechamento de agências. A presidente da Federa-RJ, Adriana Nalesso, citou a procura de aposentados pelas unidades, especialmente no início do mês, e destacou que cerca de 17 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, segundo dados do IBGE.