Amamentação exclusiva chega a 60% no Maranhão

Dor, insegurança, sobrecarga e retorno ao trabalho estão entre os desafios enfrentados pelas mães nos primeiros seis meses.

Fonte: Bheatrys Soares
(Foto: Divulgação)

O Maranhão tem avançado no aleitamento materno exclusivo. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde, apontam que a amamentação exclusiva alcançou prevalência de cerca de 60% entre crianças menores de seis meses acompanhadas no estado. Já em São Luís, o indicador chegou a 72%. Os números reforçam a importância da amamentação, mas também ajudam a colocar outra questão em evidência, especialmente durante o Agosto Dourado: o que faz diferença para que uma mulher consiga manter o aleitamento exclusivo durante os primeiros seis meses de vida do bebê?

Segundo Cynthia Castro, professora do curso de Enfermagem da Estácio, a interrupção do aleitamento não deve ser vista apenas como uma decisão individual da mãe. A pega inadequada pode provocar fissuras nos mamilos. Pode ocorrer também o ingurgitamento mamário, conhecido popularmente como leite empedrado. Todas essas são condições que podem causar desconforto ou até mesmo impedir a amamentação.

“A desistência do aleitamento materno exclusivo antes dos seis meses raramente é uma simples escolha ou falta de vontade. Na maioria dos casos, existe uma combinação de dor física, falta de orientação profissional, pressão social e barreiras trabalhistas”, explica.

Para Cynthia, receber orientação adequada nesse período é fundamental. Muitas mulheres deixam a maternidade ainda com dúvidas sobre a pega, o posicionamento do bebê e o manejo correto da amamentação. “Uma avaliação profissional pode ajudar a identificar essas dificuldades precocemente e evitar que a dor se torne um fator para a interrupção do aleitamento”, orienta.

O MITO DO “LEITE FRACO”

A insegurança sobre a quantidade de leite produzida também está entre os fatores que podem contribuir para a introdução precoce de fórmulas ou outros alimentos. Em algumas fases, o bebê pode pedir para mamar com maior frequência. Sem informação adequada, esse comportamento pode ser interpretado como sinal de que o leite materno não está sendo suficiente.

“O chamado leite fraco é um dos mitos que podem contribuir para a introdução precoce de fórmula. Sem orientação, muitas mães acreditam que o leite não está sustentando o bebê”, afirma Cynthia. Conselhos de familiares para oferecer chás, sucos ou mamadeiras também podem aumentar a insegurança, mas a recomendação dos órgãos de saúde é que, até os seis meses, o bebê receba exclusivamente leite materno.

VOLTA AO TRABALHO

Superadas as dificuldades iniciais, outro desafio pode aparecer com o retorno ao trabalho. Para muitas mulheres, conciliar a rotina profissional com a retirada, o armazenamento e a oferta do leite materno pode ser difícil, principalmente quando não existem condições adequadas no ambiente de trabalho.

A sobrecarga dentro de casa também influencia esse processo. Mamadas em livre demanda, noites de sono interrompidas e o acúmulo dos cuidados com o bebê e das tarefas domésticas podem provocar exaustão. “Quando o parceiro ou a família não assumem as demais tarefas da casa e os cuidados com o bebê fora da mamada, a mãe acaba concentrando praticamente toda a carga diária”, destaca a professora.

Para Cynthia, incentivar a amamentação também significa oferecer condições para que ela possa ser mantida. Isso inclui acompanhamento profissional desde os primeiros dias, orientação diante das dificuldades, participação da família nos cuidados e suporte adequado para a mulher que retorna ao trabalho.

“A sustentação da amamentação depende diretamente de uma rede de proteção, com atendimento humanizado logo após o parto, apoio nas tarefas domésticas, orientação especializada para correção da pega e políticas trabalhistas que protejam a mãe trabalhadora”, afirma.

E os seis meses não representam uma idade obrigatória para o desmame. A recomendação é iniciar a alimentação complementar a partir desse período e manter a amamentação até os dois anos ou mais. “o alerta vai além de incentivar as mães a amamentarem. Para que o aleitamento possa continuar, também é necessário garantir informação, acolhimento e condições reais para que a mulher não enfrente esse processo sozinha”, conclui a profissional.

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