Eleições aumentam alerta para fake news e conteúdos criados por IA

Vídeos manipulados, imagens fora de contexto e boatos ganham espaço durante as eleições

Fonte: Da redação com Assessoria

Vídeos editados, imagens antigas apresentadas como atuais e mensagens sem qualquer indicação de fonte passam a exigir atenção redobrada dos eleitores com o início oficial da campanha de 2026. Desde domingo (16), candidatos estão autorizados a fazer propaganda eleitoral e pedir votos, ampliando também a circulação de conteúdo político nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

Nesse ambiente, informações verdadeiras dividem espaço com boatos e publicações manipuladas que podem interferir na percepção dos eleitores sobre candidatos e acontecimentos da campanha.

Para Silvia Santana, advogada e coordenadora do curso de Direito de uma faculdade particular, o próprio eleitor desempenha um papel importante para impedir que conteúdos falsos ganhem alcance.

“O eleitor tem um papel importante no combate à desinformação. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, vale dedicar alguns minutos para verificar sua origem, evitando que as chamadas ‘fake news’ alcancem milhares de pessoas”, afirma.

Alguns sinais podem ajudar a identificar publicações suspeitas. Títulos excessivamente alarmistas ou sensacionalistas, mensagens sem autoria, ausência de fontes e conteúdos que pressionam o usuário a compartilhar imediatamente devem ser vistos com cautela.

A data da publicação também precisa ser conferida. Fotografias, vídeos e notícias verdadeiros podem ser retirados do contexto original e apresentados como se retratassem acontecimentos recentes, alterando a interpretação dos fatos.

Antes de encaminhar uma informação sobre as eleições, a orientação é verificar se o conteúdo também foi publicado por veículos jornalísticos confiáveis. No caso de dúvidas sobre regras, votação e outros procedimentos eleitorais, o eleitor deve consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral.

A preocupação ganhou uma nova dimensão com a inteligência artificial. Ferramentas capazes de produzir imagens, áudios e vídeos cada vez mais semelhantes a registros reais podem ser utilizadas para criar materiais enganosos e dificultar a identificação de manipulações.

O papel das plataformas digitais também entrou no foco da Justiça Eleitoral. Diante da influência que as redes sociais passaram a exercer nas campanhas, especialmente a partir das eleições de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que grandes empresas de tecnologia apresentassem, até 16 de agosto, as medidas previstas para enfrentar riscos ao processo eleitoral.

“A iniciativa tem grande valor tendo em vista a relevância de tais canais de comunicação como formadores de opinião”, avalia Silvia.

Com a campanha em andamento e o aumento da quantidade de informações políticas circulando pela internet, verificar autoria, fonte, contexto e data antes de compartilhar passa a ser uma das principais formas de evitar que conteúdos falsos ou manipulados alcancem outros eleitores.

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