Endividamento atinge 86% das famílias em São Luís, maior nível em cinco anos

São Luís registra 86% das famílias endividadas, enquanto 28,4% têm contas atrasadas. Comprometimento médio da renda com dívidas chega a 29,5%

Fonte: Da redação com Assessoria

Oito em cada dez famílias de São Luís possuem algum tipo de dívida. Em julho de 2026, o percentual de lares endividados chegou a 86%, maior nível registrado na capital maranhense desde junho de 2021, quando o indicador alcançou 86,2%.

Os números fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O avanço ocorreu principalmente ao longo do último ano. Em julho de 2025, 69,3% das famílias estavam endividadas. Em janeiro deste ano, o percentual já havia alcançado 73,9%. Seis meses depois, chegou aos atuais 86%.

O nível se aproxima dos índices registrados durante a pandemia da Covid-19. O maior percentual da série foi observado em março de 2021, quando 91,1% das famílias de São Luís possuíam dívidas. Entre 2022 e 2025, o indicador havia recuado e atingido 69,1% em maio do ano passado.

Apesar do crescimento do endividamento, a proporção de famílias com contas atrasadas permanece distante dos níveis da pandemia. Em julho, a inadimplência atingiu 28,4% dos lares, contra 47,9% no período mais crítico de 2021.

Também permanece menor a parcela que declara não ter condições de pagar as dívidas. Atualmente, 4,9% das famílias estão nessa situação, enquanto em março de 2021 eram 9,1%.

Os dados mostram, portanto, que o crescimento das dívidas está ocorrendo em velocidade superior ao avanço da inadimplência. Em relação a julho de 2025, o endividamento aumentou 24%, enquanto a parcela de famílias com contas atrasadas cresceu 4%.

O cartão de crédito concentra a maior parte dos compromissos financeiros. A modalidade está presente nas dívidas de 82% das famílias endividadas de São Luís. Entre aquelas com renda de até dez salários mínimos, o percentual chega a 83,7%.

Outro indicador é o comprometimento do orçamento. As famílias endividadas destinavam, em média, 29,5% da renda mensal ao pagamento dessas obrigações em julho. Na prática, quase um terço dos rendimentos já está comprometido com dívidas.

O cenário ocorre em meio a pressões sobre o orçamento doméstico. A inflação acumulada em 12 meses em São Luís chegou a 4,87% em julho, acima dos 4,44% registrados no país.

O mercado de trabalho também apresentou mudanças. A taxa de desocupação na Grande São Luís passou de 6,6% no quarto trimestre de 2025 para 7,6% no primeiro trimestre deste ano, enquanto a taxa de subutilização avançou de 12% para 13,4%. No Maranhão, a informalidade alcançou 57,6% da população ocupada, segundo o IBGE.

Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o aumento do uso do crédito ainda não foi acompanhado por uma deterioração equivalente da capacidade de pagamento, mas a velocidade do crescimento das dívidas exige acompanhamento.

Mesmo com o maior comprometimento financeiro das famílias, o comércio maranhense continua registrando crescimento. Dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE mostram que o volume de vendas do varejo no Maranhão avançou 3,1% em junho na comparação anual e acumulou crescimento de 2% no primeiro semestre de 2026.

A diferença em relação ao período da pandemia está principalmente no comportamento da inadimplência. Embora o endividamento esteja novamente próximo dos níveis de 2021, a proporção de famílias com contas atrasadas ou sem condições de pagar permanece significativamente menor.

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