Gaeco denuncia suspeitos por desvio de emendas parlamentares em São Luís

Denúncias apontam organização criminosa e irregularidades no uso de recursos destinados a entidades sem fins lucrativos.

Fonte: Com informações da assessoria
(Foto: Ilustração)

SÃO LUÍS – O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), ofereceu quatro novas denúncias à Justiça relacionadas à Operação Faz de Conta, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares em São Luís.

As denúncias envolvem 67 pessoas e apontam crimes como organização criminosa, peculato, falsidade ideológica, falsificação de documento público e uso de documento falso. Entre os denunciados estão o vereador Astro de Ogum e os secretários municipais Carlos Marlon de Sousa Botão (Cultura) e Rommeo Pinheiro Amin Castro (Desporto e Lazer), além de servidores e dirigentes de entidades privadas sem fins lucrativos.

As acusações, apresentadas entre maio e agosto de 2026, envolvem recursos destinados ao Instituto de Desenvolvimento do Estado do Maranhão (Idema), Instituto Garotinho de Ouro, Instituto Cultural de Desenvolvimento Social (Inceds) e Instituto de Apoio à Mulher e à Criança.

Segundo o Gaeco, entre 2017 e 2019, os envolvidos teriam formado uma organização criminosa com divisão de tarefas para viabilizar o desvio de verbas. O esquema incluiria a elaboração de projetos que não seriam efetivamente executados, a tramitação dos processos administrativos e, após a liberação dos recursos, saques e transferências dos valores.

Entre os recursos investigados estão R$ 1,694 milhão destinados ao Idema; pelo menos R$ 800 mil ao Instituto Garotinho de Ouro; R$ 530 mil em emendas parlamentares destinadas ao Inceds; e R$ 920 mil ao Instituto de Apoio à Mulher e à Criança.

As investigações também identificaram documentos supostamente falsificados, irregularidades na tramitação dos processos e nas prestações de contas. Conforme o MPMA, os projetos não teriam sido executados conforme aprovados, enquanto as prestações de contas teriam sido usadas para conferir aparência de regularidade às despesas.

A Operação Faz de Conta teve origem em um procedimento investigatório instaurado pelo Gaeco em agosto de 2019, após suspeitas sobre a autenticidade de um documento atribuído ao Ministério Público. As apurações posteriormente identificaram situações semelhantes envolvendo outras entidades e foram divididas em diferentes fases e denúncias.

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