MPF-MA conclui que servidora citada no caso Master foi vítima de phishing

Credenciais funcionais de Alina Boueres teriam sido utilizadas por grupo de Vorcaro para acessar processos sigilosos

Fonte: Com informação do MPF-MA
Credenciais funcionais teriam sido usadas pelo grupo ligado a Daniel Vorcaro para obter dados de processos (Foto: Reprodução)

O Ministério Público Federal (MPF) informou que uma apuração interna concluiu que a servidora Alina Franco Boueres de Araújo foi vítima de phishing — fraude utilizada para obter senhas e outras informações pessoais por meio de mensagens, páginas ou arquivos falsos.

Alina, lotada na Procuradoria da República no Maranhão, teve as credenciais funcionais utilizadas em consultas a processos e investigações protegidos por sigilo. Os acessos aparecem em relatórios da Polícia Federal sobre o caso envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o MPF, o órgão foi comunicado pela Polícia Federal em 2025 sobre o possível uso indevido de credenciais pertencentes a servidores. Após a conclusão da apuração interna, foram adotadas medidas para bloquear os acessos irregulares e evitar novos ataques.

A conclusão afasta, no âmbito da investigação administrativa realizada pelo MPF, a hipótese de que Alina tenha fornecido voluntariamente os dados aos investigados.

Documentos teriam sido enviados a Vorcaro

A suspeita surgiu durante a análise de conversas entre Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Conforme os relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), documentos extraídos com o usuário funcional de Alina teriam sido compartilhados por Mourão com o banqueiro.

As credenciais aparecem em consultas realizadas em diferentes unidades do MPF, inclusive a procedimentos sigilosos relacionados ao próprio Vorcaro e aos empresários Nelson Tanure, Maurício Quadrado e Vladimir Joelsas Timmerman, fundador da gestora Esh Capital.

“Documentos compartilhados por Mourão foram gerados pela usuária Alina Boueres, sendo relevante observar que há recorrência na utilização de seu usuário para consulta de processos, inclusive sigilosos, no âmbito do Ministério Público Federal”, registrou a PF.

À época da elaboração do relatório, os investigadores ainda consideravam três possibilidades: fornecimento voluntário das credenciais, uso sem o conhecimento da servidora ou invasão da conta. A apuração interna do MPF concluiu posteriormente que houve phishing.

Procedimento foi acessado dois dias após ser aberto

Um dos casos apontados pela Polícia Federal ocorreu em julho de 2024, após dois funcionários da Caixa Econômica Federal serem demitidos por se posicionarem contra a aquisição de R$ 500 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

O episódio motivou uma representação apresentada ao MPF do Distrito Federal em 16 de julho. Dois dias depois, segundo a investigação, Mourão teria encaminhado a Vorcaro a íntegra do procedimento.

A PF identificou que o extrato processual havia sido gerado por meio da conta funcional associada a Alina.

“Essa informação reforça a necessidade de averiguação, tendo em vista a possível circulação indevida de dados protegidos por sigilo”, destacou a equipe policial.

Credenciais de outro servidor também são investigadas

Os relatórios citam ainda uma conta vinculada a Daniel Souza Iost, servidor do MPF no Rio Grande do Sul. O usuário teria sido empregado, também em julho de 2024, para consultar 15 documentos relacionados a Vorcaro, 11 deles protegidos por sigilo.

Conforme a PF, um arquivo encaminhado a Mourão apresentava uma marca branca sobre o trecho onde constavam o nome e o setor do servidor. As informações, porém, permaneceram no documento e foram recuperadas pelos investigadores.

Para a equipe policial, o recurso pode indicar uma tentativa de esconder a identidade de quem fez a consulta. As circunstâncias envolvendo esse segundo usuário continuam sob investigação.

A mesma conta teria sido usada para acessar procedimentos relacionados à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Grupo teria monitorado adversários do banqueiro

Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva são apontados como integrantes de um grupo chamado “A Turma”. De acordo com a investigação, o núcleo atuaria na obtenção de informações, no monitoramento e na intimidação de pessoas consideradas adversárias de Vorcaro.

Entre os possíveis alvos estariam prestadores de serviços e um gestor de investimentos que denunciou supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

A Polícia Federal apura se houve um padrão de obtenção e compartilhamento ilegal de informações reservadas, com potencial para comprometer o sigilo institucional e o andamento de investigações.

Os relatórios tornaram-se públicos depois da retirada do sigilo de parte dos processos relacionados ao caso Master. As investigações sobre a origem, o uso e o compartilhamento dos documentos continuam.

Publicidade