
O valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691 após o governo federal anunciar um reajuste de 15,04% nos benefícios. A correção também elevará o pagamento médio do programa de R$ 675 para R$ 777.
A medida foi anunciada nesta quinta-feira (17) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Este é o primeiro reajuste promovido pelo atual governo desde a reformulação do Bolsa Família, em 2023.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o percentual corresponde à variação acumulada do INPC desde o início da atual configuração do programa até agosto deste ano. O governo apresenta, portanto, o aumento como uma recomposição inflacionária dos benefícios.
O impacto adicional nas contas públicas será de R$ 5,8 bilhões em 2026. Como os novos valores valerão durante todo o próximo ano, o custo estimado sobe para aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027, segundo o Ministério do Planejamento.
Moretti afirmou que a equipe econômica identificou espaço fiscal para absorver a despesa. A mudança, porém, exigirá adequação do projeto de Lei Orçamentária de 2027 enviado pelo Executivo ao Congresso no fim de agosto, que havia mantido o piso do Bolsa Família em R$ 600.
O valor mínimo atual foi estabelecido em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o benefício foi elevado de R$ 400 para R$ 600. Lula manteve esse piso ao recriar o Bolsa Família em 2023 e acrescentou benefícios vinculados à composição familiar.
O momento do anúncio também insere a medida no contexto eleitoral. O reajuste foi apresentado menos de três semanas antes da votação de primeiro turno, marcada para 4 de outubro. O governo sustenta que a correção corresponde à inflação acumulada desde 2023 e que seu custo cabe no espaço fiscal disponível.
Além do piso de R$ 691, o programa continuará considerando os adicionais previstos de acordo com a composição das famílias. Por isso, o valor efetivamente recebido pode superar o mínimo estabelecido pelo governo.
A implementação do reajuste acrescenta uma despesa relevante ao Orçamento de 2027. A definição de como os R$ 22 bilhões adicionais serão incorporados às contas do próximo ano deverá ocorrer durante a tramitação da proposta orçamentária no Congresso.