Por Patrícia Bogéa de Matos, fisioterapeuta, Esp. Microfisioterapia, Leitura Biológica, Terapia Manual, Terapia Cranio Sacral e Psych-k
Frases que parecem inofensivas no cotidiano escondem uma realidade alarmante de opressão e exclusão contra a população idosa.
Conhecido como etarismo (ou idadismo), o preconceito e a discriminação baseados na faixa etária afetam indivíduos em diferentes momentos do ciclo da vida, mas encontram na velhice o seu cenário mais destrutivo. O tema precisa ser tratado com rigor, respeito e a propriedade que a gravidade do assunto exige.
Expressões populares como “você nem parece que tem 50 anos”, “você está muito velha para isso” ou “que bonita, não entrega a idade” são comumente proferidas como elogios ou comentários casuais. No entanto, o impacto psicológico e social dessas falas vai na contramão da inocência.
Dependendo de como essas mensagens atravessam quem as recebe, elas se tornam barreiras invisíveis, capazes de paralisar sonhos, anular escolhas e limitar decisões legítimas.
Existe um discurso de que basta “não se importar com o que os outros dizem”. Contudo, é visto como utopia essa máxima. Como seres essencialmente sociais, a parte inevitavelmente impacta o todo. Sustentar que o próximo não interfere nas subjetividades individuais, caminha lado a lado com um comportamento desumano, que ignora a responsabilidade coletiva sobre o sentimento alheio.
Viver em sociedade exige corresponsabilidade. O envelhecimento é um processo natural, biológico e fisiológico que deve ser encarado com respeito, reverência e cuidado. Minimizar ou fragilizar um indivíduo por meio de palavras ofensivas reflete uma irresponsabilidade social de alto nível.
Para que a pessoa idosa seja enxergada com a grandiosidade e a sabedoria que carrega, é imperativo que a população amadureça de forma consciente.
O fortalecimento social ocorre justamente no respeito às diferenças geracionais: na admiração pelas capacidades do outro e no acolhimento de suas limitações naturais.
Associar a velhice estritamente à fragilidade, à incapacidade ou a aspectos negativos é um ato excludente e uma resistência à evolução humana.
Diante disso, ganha força a necessidade de movimentos sociais robustos de conscientização. Afinal, a premissa que deveria ser óbvia precisa ser relembrada e honrada: onde existe uma pessoa idosa, há também uma história de carreira, desafios superados, uma família e um verdadeiro bálsamo de aprendizado pronto para ser reverenciado.