Novo Desenrola mira R$ 75 bilhões em dívidas e 15 milhões de pessoas

Programa terá impacto fiscal de até R$ 15 bilhões e permitirá a compra de dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil

Fonte: Da redação

Até 15 milhões de brasileiros com dívidas antigas poderão ser alcançados pelo Desenrola 3.0, nova etapa do programa de renegociação anunciada nesta sexta-feira (25). O plano prevê a compra de carteiras de débitos pelo Tesouro Nacional para permitir descontos mínimos de 90% sobre os valores negociados.

O programa tem como público-alvo famílias com dívidas em atraso entre dois e 4,5 anos. A estimativa inicial é alcançar um estoque de até R$ 150 bilhões, embora o Ministério da Fazenda projete que aproximadamente R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados, considerando que nem todos os credores e devedores deverão aderir.

O mecanismo será diferente de uma renegociação convencional. O Tesouro pretende adquirir, por meio de leilões, carteiras de dívidas bancárias e não bancárias consideradas de difícil recuperação. Como esses créditos têm menor expectativa de pagamento, a proposta é comprá-los com deságio elevado e utilizar essa redução para viabilizar a regularização dos débitos pelos consumidores.

Poderão entrar nos leilões carteiras com dívidas de valor original de até R$ 10 mil, consideradas a partir de 25 de setembro de 2026. O Ministério da Fazenda ainda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e regras para priorizar determinados grupos de devedores.

O tamanho do mercado de inadimplência ajuda a dimensionar o alcance potencial da iniciativa. Levantamento do Tesouro Nacional aponta que o saldo das dívidas com até cinco anos de atraso registradas nos birôs de crédito chegou a R$ 592 bilhões em agosto de 2026.

Nesse universo, 83,9 milhões de pessoas estavam negativadas, das quais 56% eram mulheres. Cada consumidor possuía, em média, quatro dívidas, com saldo médio de aproximadamente R$ 7 mil por pessoa e R$ 1,7 mil por débito.

A maior parcela do estoque não está concentrada nos bancos. Cerca de 55% das dívidas são referentes a compromissos não bancários, como contas de água, energia elétrica, telefonia e compras no varejo. Somente os débitos relacionados a serviços de água, luz e energia representam aproximadamente 20% do total.

Para colocar o novo modelo em funcionamento, o governo estima um impacto fiscal máximo de R$ 15 bilhões, caso seja alcançado o deságio projetado de pelo menos 90% na aquisição das carteiras.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida terá impacto sobre o resultado primário e ficará submetida às regras fiscais. O processo de leilão deve começar ainda em 2026, mas a previsão é de que os desembolsos efetivos ocorram a partir de 2027.

As despesas deverão ser incorporadas às previsões orçamentárias de 2027 e 2028. O intervalo entre os leilões e os desembolsos decorre do tempo necessário para aquisição das carteiras e operacionalização das renegociações.

Com adesão parcial de empresas e consumidores, a Fazenda trabalha com uma estimativa de R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas. O número corresponde à metade do estoque de R$ 150 bilhões inicialmente considerado pelo Desenrola 3.0.

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