
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou neste domingo (27) qualquer participação na produção ou disseminação de informações falsas durante a campanha presidencial e cobrou provas para acusações que associem integrantes da entidade a estruturas de desinformação. A manifestação ocorreu horas depois de Flávio Bolsonaro (PL) afirmar que pessoas ligadas à Conferência teriam colaborado com a divulgação de conteúdo falso envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
A controvérsia começou com a circulação nas redes sociais da informação de que Flávio, caso eleito presidente, apoiaria a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O conteúdo fazia referência a uma proposta legislativa antiga e arquivada. A associação do candidato à iniciativa foi considerada falsa em decisão liminar do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante uma agenda de campanha em Goiânia, Flávio atribuiu ao PT a tentativa de impulsionar a informação e acrescentou que teria havido colaboração de “gente dentro da CNBB”. O candidato não apresentou nomes nem provas para sustentar a acusação contra integrantes da Conferência.
Horas depois, a CNBB divulgou uma nota para contestar a declaração. A entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições e declarou repudiar o uso de desinformação, independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado.
A Conferência também afirmou que não integra estruturas de partidos ou candidaturas e que suas manifestações no período eleitoral estão relacionadas à sua atuação institucional e pastoral. Ao responder à acusação, sustentou que qualquer associação da entidade com redes de desinformação deve ser acompanhada de fatos e provas.
“A mentira não se combate com outra mentira”, declarou a CNBB ao encerrar a resposta. A entidade reafirmou ainda compromisso com a verdade, o diálogo e a paz durante o processo eleitoral.
A disputa sobre as publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida também chegou ao Judiciário. André Mendonça havia determinado a retirada de conteúdos que associavam Flávio ou sua família à revogação da lei que reconhece a santa como Padroeira do Brasil. Entre as publicações atingidas estava uma postagem do humorista Antonio Tabet.
Neste domingo, porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a determinação em relação à postagem de Tabet e estendeu os efeitos da decisão a outras publicações removidas pelo mesmo fundamento. Dino considerou que não havia elementos suficientes, naquele estágio, para justificar uma restrição à liberdade de expressão e determinou o restabelecimento dos conteúdos.
A decisão de Dino não estabeleceu como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro pretende retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. O ministro concentrou sua análise nos limites da ordem de remoção e nas garantias de liberdade de expressão e religiosa. Mendonça, por sua vez, havia entendido preliminarmente que as publicações apresentavam informação sem suporte na realidade dos fatos e poderiam interferir na formação da vontade do eleitor.