
A Polícia Civil investiga uma denúncia de constrangimento contra uma criança de 6 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Alagoinhas, no interior da Bahia. Segundo a família, o menino foi enviado para casa pela escola municipal envolto em uma sacola plástica e com a fralda cheia de fezes.
O episódio ocorreu em 24 de setembro e ganhou repercussão neste fim de semana. A criança estuda na Escola Municipal de Educação Integral do Campo.
De acordo com a mãe, Camila de Jesus Almeida, a escola telefonou para informar que o filho retornaria para casa porque não havia fralda nem roupa disponíveis para a troca. Ela contesta a justificativa e afirma que esses materiais estavam na mochila do menino.
Ao cobrar explicações, Camila diz ter ouvido da diretora que a sacola havia sido colocada na criança para evitar que ela sujasse o veículo da Secretaria Municipal de Educação utilizado no transporte.
Família relata episódios anteriores
Os familiares afirmam que o menino já havia sido devolvido para casa sem a troca necessária em outras três ocasiões. Segundo eles, fraldas e roupas também foram encontradas na mochila nesses episódios.
Camila procurou a Secretaria Municipal de Educação e relata que, inicialmente, recebeu a proposta de tratar o assunto internamente, sem recorrer a outros órgãos. Insatisfeita com a resposta, registrou um boletim de ocorrência e levou a denúncia ao Ministério Público da Bahia.
A Polícia Civil informou que realiza diligências e ouve os envolvidos para esclarecer as circunstâncias do caso.
Após conceder entrevista a uma rádio local, a mãe foi chamada para uma nova reunião com a secretaria. Segundo ela, foi sugerida a transferência do menino para outra unidade.
“Propuseram que eu trocasse meu filho de escola, como se meu filho que tivesse feito algo de errado”, afirmou.
Camila informou que não permitirá o retorno da criança à unidade enquanto a direção não for alterada. Em entrevista ao g1, disse também que o filho não recebeu acompanhamento psicológico após o episódio.
Prefeitura anuncia apuração administrativa
Em nota, a Prefeitura de Alagoinhas informou que a Secretaria Municipal de Educação ouviu a família e os profissionais envolvidos para reunir informações sobre a ocorrência.
Os relatos e documentos foram encaminhados ao setor jurídico do município para a instauração de uma sindicância, destinada a esclarecer os fatos e verificar eventual responsabilidade funcional.
A administração municipal afirmou que acompanha o caso e adotará as providências cabíveis até a conclusão da apuração. A nota não detalha quais medidas de assistência foram oferecidas à criança.