
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) lançou, na quinta-feira (8), o Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial (Inhame), voltado à pesquisa sobre uma região que ocupa posição estratégica no debate energético brasileiro. A proposta é reunir conhecimento científico para avaliar tanto o potencial econômico da exploração de recursos quanto seus impactos ambientais e sociais.
A cerimônia ocorreu no Palácio Cristo Rei, em São Luís, com a presença de representantes da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), da Fapema, do Sebrae-MA e da Finep. O lançamento foi conduzido pelo reitor Fernando Carvalho Silva e pelo diretor do instituto, Allan Kardec Duailibe, professor da UFMA e presidente da Gasmar.
A Margem Equatorial se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abrange cinco grandes bacias marítimas, entre elas Pará-Maranhão e Barreirinhas. Considerada uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás, a região também concentra ecossistemas costeiros e marinhos e comunidades cujas atividades dependem desses territórios.
Pesquisa em três frentes
O Inhame organizará sua atuação em três eixos: energia, sustentabilidade e meio ambiente, e desenvolvimento socioeconômico. Os estudos deverão abordar petróleo e gás, fontes eólica e solar, tecnologias de exploração no mar, infraestrutura e segurança energética.
Na frente ambiental, estão previstas pesquisas sobre biodiversidade, oceanos, conservação e monitoramento dos ecossistemas. Já a área socioeconômica analisará efeitos sobre emprego, renda, cadeias produtivas e populações locais, incluindo comunidades quilombolas e ribeirinhas.
A estrutura reunirá diferentes áreas da universidade, como engenharia, oceanografia, geociências, biologia, química, computação, inteligência artificial, economia e direito. Também está prevista a participação de pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais, incluindo profissionais do Japão e dos Estados Unidos.
“O Instituto parte de uma ideia simples: energia, meio ambiente e desenvolvimento humano não podem ser tratados separadamente”, afirmou o reitor Fernando Carvalho Silva.
Para Allan Kardec, a produção de conhecimento deve ampliar o debate para além dos recursos naturais, incorporando questões de tecnologia, soberania e condições de vida da população.
“Não é possível discutir a Margem Equatorial olhando apenas para petróleo e gás. O desafio é compreender como a riqueza e as oportunidades desta região podem ser transformadas em desenvolvimento duradouro para o Maranhão e para o Brasil, com conhecimento científico e responsabilidade ambiental”, destacou.
Projeções econômicas e preparação das empresas
A Fiema foi representada pelo vice-presidente executivo Celso Gonçalo, também presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Maranhão, e pelo diretor Milton Campelo, presidente do Sindicanálcool.
Estimativas reunidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a exploração da Margem Equatorial pode acrescentar até R$ 10,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) maranhense e gerar mais de 50 mil empregos na indústria, no comércio e nos serviços. Os números são projeções de simulações do Observatório Nacional da Indústria, e não resultados já alcançados.
Na avaliação da Fiema, a participação das empresas locais nessa possível cadeia econômica exige qualificação profissional, infraestrutura, estudos técnicos e condições de investimento. A entidade incluiu a Margem Equatorial no Mapa Estratégico da Indústria do Maranhão 2025–2032, elaborado em parceria com a CNI.
Entre as propostas está a preparação do complexo portuário de São Luís para atender a uma eventual demanda da atividade petrolífera, além de melhorias logísticas e formação de fornecedores.
Celso Gonçalo defendeu que a aproximação entre universidade e setor produtivo ajude a distribuir as oportunidades econômicas. Para ele, o conhecimento produzido precisa chegar à indústria e aos pequenos negócios, que poderão fornecer produtos, serviços e soluções para futuros projetos.
Impactos ambientais fazem parte da agenda
O avanço da exploração de petróleo e gás depende de autorizações ambientais e da avaliação dos impactos de cada empreendimento. Nesse contexto, o instituto pretende oferecer subsídios técnicos às decisões do poder público, das empresas e da sociedade.
A proposta é utilizar a estrutura acadêmica da UFMA para investigar riscos, tecnologias e alternativas de desenvolvimento. Para o Maranhão, a iniciativa também busca formar profissionais e preparar o estado para eventuais investimentos, considerando a proteção ambiental e os efeitos sobre quem vive na região.