
O uso de câmeras inteligentes e sistemas automatizados de identificação auxiliou as forças de segurança do Maranhão na realização de 513 prisões desde 2022. Desse total, 155 ocorreram entre janeiro e 12 de outubro de 2026, o maior resultado anual registrado pelo Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS), vinculado à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA).
Os dados mostram uma ampliação da participação das ferramentas tecnológicas nas operações policiais. Somente neste ano, 77 prisões tiveram apoio do reconhecimento facial, enquanto outras 78 decorreram de abordagens de veículos identificados por sistemas de monitoramento.
A estrutura utilizada pelo CIOPS combina inteligência artificial, leitura automática de placas e cruzamento de informações policiais. O objetivo é identificar possíveis correspondências entre imagens captadas pelas câmeras e registros de pessoas procuradas pela Justiça, além de localizar veículos com restrições.
Uma das principais ferramentas é o Sistema Hydra, que reúne dados sobre mandados judiciais e automóveis relacionados a ocorrências policiais. A plataforma possui mais de 3 mil registros faciais e informações de procurados nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins.
Na Grande Ilha, o monitoramento é realizado por uma rede de mais de 450 câmeras instaladas em pontos considerados estratégicos. Os equipamentos permitem acompanhar a movimentação em áreas monitoradas e transmitir informações às equipes policiais que atuam nas ruas.
O funcionamento ocorre de maneira ininterrupta, com operadores responsáveis por analisar as imagens e verificar os alertas gerados automaticamente pelos sistemas.
No reconhecimento facial, as câmeras registram imagens que são comparadas com fotografias disponíveis no banco de dados. Quando a tecnologia aponta uma possível correspondência, o alerta passa pela avaliação dos profissionais do CIOPS.
Somente após essa verificação, as informações são encaminhadas às equipes policiais, responsáveis pela abordagem, identificação da pessoa e confirmação de sua situação perante a Justiça. Dessa forma, o reconhecimento automatizado funciona como ferramenta de apoio à atuação dos agentes, e não como confirmação isolada da identidade de um procurado.
Para o monitoramento de veículos, a estrutura utiliza tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres, conhecida pela sigla OCR. O recurso permite ler automaticamente placas e comparar os dados com registros de automóveis roubados, furtados, clonados ou relacionados a investigações.
Quando uma possível irregularidade é identificada, os operadores comunicam a ocorrência às equipes em campo, que podem realizar a abordagem e verificar a situação do veículo.
Segundo a secretária de Estado da Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, a utilização integrada dessas ferramentas amplia a capacidade operacional das instituições responsáveis pelo policiamento.
“Estamos utilizando a tecnologia para ampliar a capacidade de atuação das nossas forças de segurança. Hoje, conseguimos identificar pessoas procuradas pela Justiça e veículos envolvidos em crimes por meio de sistemas inteligentes que auxiliam o trabalho dos policiais nas ruas”, afirmou.
A secretária também relacionou os resultados aos investimentos estaduais na modernização dos equipamentos e na integração entre os órgãos de segurança.
O avanço mais expressivo nos indicadores de 2026 ocorreu no reconhecimento facial. Entre 2023 e 2025, essa tecnologia havia auxiliado 18 prisões. Nos primeiros nove meses e 12 dias deste ano, o número chegou a 77, mais de quatro vezes o total acumulado nos três anos anteriores.
Na comparação específica com 2025, quando foram registradas sete prisões com apoio do reconhecimento facial, o crescimento atingiu 1.000%.
As abordagens veiculares continuam representando a maior parcela das prisões contabilizadas desde o início da série histórica. Entre 2022 e 12 de outubro de 2026, foram 418 prisões relacionadas a esse tipo de procedimento, das quais 78 ocorreram neste ano.
Somados, os dois mecanismos respondem pelas 513 prisões registradas no período: 95 com apoio do reconhecimento facial, considerando os dados apresentados a partir de 2023, e 418 decorrentes de abordagens veiculares.
O diretor do CIOPS, major Santos Junior, explicou que os alertas tecnológicos precisam ser analisados antes do acionamento das equipes. Segundo ele, a comunicação entre os operadores e os policiais permite direcionar as abordagens a partir das informações identificadas pelo monitoramento.
“Quando o sistema emite um alerta, nossos operadores realizam a verificação e repassam as informações às equipes policiais. Essa integração entre tecnologia e atuação operacional é fundamental para localizar pessoas procuradas pela Justiça e identificar veículos relacionados a crimes”, explicou.
Além de contribuir para a localização de procurados e veículos com restrições, o videomonitoramento é utilizado no acompanhamento de situações que exigem resposta dos serviços de segurança e emergência.
Entre janeiro e 12 de outubro de 2026, o CIOPS acompanhou 5.089 ocorrências gerais, incluindo acidentes de trânsito, incêndios e outros atendimentos. No mesmo intervalo, foram contabilizadas 673 ocorrências criminais relacionadas a roubos, furtos, tráfico de drogas e outros delitos.
As imagens permitem que os operadores identifiquem situações de risco, acompanhem o desenvolvimento das ocorrências e forneçam informações para orientar o deslocamento das equipes responsáveis pelo atendimento.
A rede de monitoramento também dispõe de equipamentos com capacidade de movimentação em 360 graus e recursos de aproximação de imagens, utilizados para ampliar a observação das áreas cobertas pelo sistema.
De acordo com Santos Junior, o resultado de 2026 reflete a combinação entre monitoramento permanente, análise de informações e atuação dos profissionais de segurança pública.
“Somente neste ano, já são 155 prisões com apoio do videomonitoramento, o maior resultado anual da série histórica. É um trabalho que combina inteligência artificial, monitoramento permanente e atuação das forças de segurança para transformar informações em resultados operacionais”, afirmou.
A modernização do CIOPS integra a política estadual de ampliação do uso de tecnologias nas operações policiais. Os equipamentos são empregados tanto na identificação de pessoas e veículos quanto no suporte às ações de policiamento, investigação e atendimento de emergências nas áreas monitoradas da Grande Ilha.